Fonte: Folha de Londrina
A Associação Comercial e Industrial de Londina (ACIL) não quer que os espaços desocupados no Centro da cidade com a retirada dos quiosques voltem a ser ocupados por novos quiosques, como é a intenção do prefeito Barbosa Neto (PDT). A ideia foi manifestada ontem de manhã pelo presidente da entidade, empresário Nivaldo Benvenho, durante solenidade no gabinete do prefeito para sancionar as leis de Saneamento e da ''Cidade Limpa''.
A manifestação não estava prevista e pegou o prefeito de surpresa, porque o dirigente empresarial tinha sido convidado para a solenidade. Benvenho, falando de improviso, destacou que a entidade pode se organizar no sentido de impedir a licitação para a construção de novos quiosques. ''Nós vamos fazer esta cobrança e levar o assunto para discussão. No momento há fiscalização por parte da prefeitura, mas no futuro há o risco de se começar tudo de novo, e o que nós queremos é uma cidade bonita, charmosa, harmoniosa'', disse Benvenho.
Logo depois, conversando com jornalistas, o presidente da ACIL disse que o poder público não deve se envolver em assuntos que dizem respeito exclusivamente à iniciativa privada. ''O papel da Prefeitura não é cuidar de negócios em espaços públicos. O capital privado é que deve fazer isso.'' Segundo ele, é o próprio empresário que deve saber a viabilidade de um café ou uma floricultura e montar o negócio em imóveis já existentes. ''Nós, como sociedade civil organizada, temos que deixar muito bem claro que o privado é privado e o público é público'', argumentou.
O prefeito Barbosa Neto, durante entrevista coletiva, classificou de ''radical'' as ponderações do presidente da ACIL. ''Esta é uma séria ameaça, um argumento forte, mas nós vamos ouvir outros setores e tomar a decisão que acharmos mais correta e mais equilibrada.''
'Cidade Limpa'
A Lei Cidade Limpa, inspirada em projeto semelhante desenvolvido na cidade de São Paulo, regula toda a mídia exterior no comércio e o aproveitamento das fachadas urbanas para fins comerciais no perímetro central de Londrina. Segundo a lei, não haverá sobreposição de placas, os painéis devem ser mais elaborados, o tamanho da publicidade deve ser proporcional à fachada e as placas devem ficar distantes uma das outras.
Uma cartilha com todas as recomendações será elaborada pela ACIL para ser distribuída aos empresários. Os comerciantes terão prazo de um ano para fazer as adequações. A cooperativa Sicoob Norte do Paraná vai disponibilizar uma linha de crédito especial a juros baixos para financiar as mudanças.
A presidente da Associação dos Profissionais de Propaganda de Londrina, jornalista Cláudia Romariz, disse que ''a cidade ficará mais bonita e sem poluição visual''. Segundo ela, as mudanças serão benéficas para o mercado publicitário local e não haverá o risco do desemprego em massa no setor, como chegou a ser cogitado quando o prefeito lançou a proposta há cerca de um ano.
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