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Arrojo traz novos rumos ao SCPC no Paraná

23-01-2012

A partir de fevereiro, as associações comerciais do Estado passam a ter domínio total dos dados de proteção ao crédito

Fonte: Assessoria de imprensa ACIL 

A partir do dia 4 de fevereiro as associações comerciais do Paraná começam uma nova história, dando significado e força à palavra associativismo. Nesta data, o banco de dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SCPC) volta às mãos da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap), movido por um movimento que começou no interior.

Vender com segurança é a base essencial para evitar a inadimplência, o que torna o SCPC parte imprescindível nesse processo e almejado pelos empresários. Uma informação valiosa que por pouco não virou monopólio. Até então, todas as informações do SCPC eram centralizadas na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), mas alimentadas diariamente por associações comerciais de todo o Brasil. Um produto construído por muitos. Em 2011, esse banco de dados foi vendido para a empresa Boa Vista Serviços, sem o conhecimento dessas mesmas associações que ajudaram a construí-lo. A ACSP percebeu que o serviço vale dinheiro e abriu o capital do SCPC, que virou uma Sociedade Anônima.

A companhia já nasceu com um capital de R$ 808 milhões, valor que foi formado ao longo dos anos pela alimentação de dados feita dia a dia por associações comerciais e empresariais de todo o Brasil. São mais de seis milhões de consultas anuais realizadas por lojistas. O cadastro do SCPC traz cerca de 100 milhões de registros de adimplência e inadimplência.

Mas esses mesmos lojistas e associações que ajudaram a formar o banco de dados foram ignorados pela ACSP, que ficou como acionista do novo serviço com 60% de participação no negócio. Os outros sócios são o Fundo de Investimentos TMG Capital, com participação de 25%, e o restante está nas mãos do Clube dos Dirigentes Lojistas do Rio de Janeiro, da Associação Comercial do Paraná (ACP) e da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Porto Alegre.

Ocorre que as principais associações comerciais do Paraná não aceitaram essa imposição e, movidos por essa insatisfação, começaram um movimento liderado pela Faciap. Representantes de cidades como Londrina, Cascavel, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu, Pato Branco, Guarapuava e Toledo encabeçaram a ação para buscar alternativas e, desse comitê, teve origem o banco de dados estadual, que terá parcerias para complementar as consultas dos comerciantes e empresários conforme a necessidade de cada situação. Os dados voltam à sua origem, o Paraná terá novamente o controle sobre os dados do seu SCPC. Cerca de 98% das consultas feitas pelo varejo são locais, o que torna o banco de dados efetivo e completo.

Para Nivaldo Benvenho, presidente da ACIL, a mudança é um marco. “Estamos vivendo um momento importante, onde o interior do Paraná irá crescer muito. Estamos nos preparando para isso”. Para ele, as ACE's são importantes agentes de desenvolvimento. “Se não tomarmos esse passo (de ter o banco de dados autônomo) corremos o risco de dentro de cinco anos perdermos essa força empresarial estratégica para a defesa dos interesses do setor produtivo de forma generalizada, lembrando que em cidades pequenas, muitas vezes, uma das poucas entidades que existem - quando não a única para defender o empresário - é uma associação comercial e empresarial”, descreve.

É um grande passo”

Presidente da Faciap, Rainer Zielasko atesta que a partir de fevereiro as associações comerciais do Paraná vão dar um importante passo para garantir um serviço de proteção ao crédito seguro e duradouro. “Foi um ato corajoso que a Faciap fez de peitar esse negócio e tocar adiante, é pela união. As pessoas têm que entender que essa autonomia dará segurança ao sistema, que ao longo dos anos essas informações vão pertencer ao Paraná e não a empresas de fora. Para as associações é um marco importantíssimo, um novo momento.”

O fato dos dados que estavam sob a tutela da Associação Comercial do Paraná terem sido vendidos à Boa Vista é a prova de que o pensamento de Zielasko - e do comitê formado pelas oito maiores associações comerciais do estado - vai ao encontro do desenvolvimento regional, de dar sustentabilidade e vida longa às empresas do Estado. “A Faciap está fazendo um grande serviço de resgatar esse banco, ter autonomia sobre ele e hospedá-lo em um lugar seguro. Esse banco pertence ao comerciante e as associações têm a responsabilidade de serem a mantenedora dele. Estamos fazendo assim para que isso não seja transferido para uma empresa multinacional, vamos ser os responsáveis por manter e hospedar esse banco, fornecer as informações com segurança a todas as associações”, explica o presidente da Faciap.

Durante 11 meses, descreve Zielasko, o comitê tentou diálogo com a ACP para buscar um caminho conjunto. Mas ela concentrou para si todos os louros e lucros da negociação e não abriu mão disso em momento algum. “O interior entendeu que não deveria ser assim, em inúmeras reuniões não houve nenhum tipo de negociação ou avanço e não teve outra alternativa. As oito associações desse comitê começaram um trabalho técnico e agora teremos o nosso banco de dados.”

Zielasko define que esse “é um grande passo”, um passo consistente pois, independente de quem assuma a presidência da Faciap, as informações do SCPC estarão seguras. “Nossa preocupação é, independente de quem for presidente da Faciap, não haverá ingerência nisso, o contrato de regimento será do conselho e nada poderá ser feito sem o aval dessas oito associações.”

Gerente da ACIL, Wilson Battini, reitera a afirmação de Zielasko: “A Base Operadora do Estado estará disponível com tecnologia de ponta e vai oferecer um produto com qualidade, segurança e diversidade para atender a todos os empresários, independente do ramo de atividade, sem exclusividade. É um trabalho com transparência e cada associação comercial terá autonomia para aplicar a sua política comercial a seus associados.”

Battini tranquiliza os empresários usuários do sistema de que não vai haver interrupção no serviço, e que as informações são consistentes. O SCPC regional é fruto da união das ACE's do Paraná e do fortalecimento da Faciap. “O grupo agilizou o processo pela denúncia dos contratos da ACP. A partir do negócio da ACSP com o grupo investidor Boa Vista e ACP, nós iniciamos esse trabalho há mais de um ano para constituirmos esse banco de dados com qualidade para os nossos associados”, finaliza Battini.

Forças somadas, associativismo efetivo

Superintendente da ACIM (Associação Comercial de Maringá), Lúcio Azevedo de Almeida explica que quando surgiram os rumores de que a Boa Vista seria criada, a ACP foi convidada a participar da constituição da empresa usando a base de dados que eles administravam, ou seja, toda a base do Paraná. “Eles viram uma oportunidade e quiseram entrar no negócio, mas só eles, sem considerar as outras associações do Estado. Quando o comitê percebeu esse movimento, começou a questionar a ACP e as informações não nos eram passadas de forma clara”, relata.

Diante disso, completa Almeida, esse comitê formado por representantes das maiores associações comerciais do interior começou a buscar informações pra subsidiar o grupo e encontrar soluções que contemplassem o estado inteiro. O resultado é o banco de dados estadual e autônomo, que dará maior liberdade para cada associação. “A ACP foi nos enrolando até que chegou um ponto que percebemos que tínhamos que buscar segurança para as associações. E uma das alternativas encontradas foi ter autonomia da base de dados do SCPC, informação que é nossa, do nosso associado, e estava centralizada na ACP.”

“É um banco de dados com consistência de informações, teremos dados locais e de grandes usuários nacionais sem estar preso a um fornecedor só”, explica Flávio Balan, vice-presidente da ACIL e coordenador do grupo pela Faciap. Para ele, o benefício de toda essa mobilização não fica restrito ao banco de dados próprio, mas ao fortalecimento do associativismo. “A força dessa fusão, de estar todos trabalhando por um mesmo objetivo, do mesmo lado, é aí que o Estado do Paraná vai ganhar”, antecipa.

Quem completa o pensamento de Balan, é Rafael Lizieri, gerente executivo da Associação Comercial de Ponta Grossa. “Sem sombra de dúvidas a retomada do Serviço de Proteção ao Crédito é um resultado do associativismo, isto está muito claro para as entidades. Por muitos anos o discurso associativista era empregado nas relações do estado, no entanto muitas vezes não se via a aplicação do associativismo puro nas ações realizadas. A criação da Base Operadora do Paraná é um exemplo puro de união de forças e divisão de tarefas em defesa do estado.”

Para Lizieri, o resultado será um Paraná e entidades mais fortes: “A união de forças entre as entidades do estado garante que o resultado financeiro da prestação desse tipo de serviço retorne para as cidades de origem, promovendo o desenvolvimento local.”

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