Fonte: Folha de Londrina
São Paulo - Em tudo se mantendo constante, em pressão e temperatura, na economia brasileira, o poder de compra de bens e serviços das classes sociais C, D e E deverá chegar em 2012 crescendo o dobro da taxa de expansão da capacidade de consumo das classes mais abastadas A e B. É o que mostra estudo ''Consumo das Famílias Brasileiras até 2020'' apresentado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio) durante o debate ''A Nova classe média brasileira'', realizado em 2 de junho.
Pelo documento, deste ano até 2012, o consumo das famílias da classe C, com salário mensal de cinco a 10 salários mínimos deverá crescer a uma taxa de 7% ao ano. No estrato de renda de dois a cinco mínimos, no qual se insere a classe D, o consumo deverá crescer 8% por ano até 2012 e na classe E, que recebem até dois salários mínimos mensalmente, o consumo também deverá se expandir à razão de 8% ao ano. Já as classes B e A, que percebem rendas mensais de 10 a 30 salários e mais de 30 salários, pela ordem, o crescimento do poder de compra até 2012 será de 4%.
No ano passado, o consumo das três classes mais baixas juntas somaram R$ 864 bilhões , valor que representou 78% do total gasto pelas classes A e B, que somou R$ 1,10 trilhão. ''Mantido o ritmo de expansão de consumo das famílias verificado na última década e caso se materializem as projeções de aumento de investimentos e de gastos públicos nos próximos anos, um impacto significativo nas contas públicas poderá ocorrer já a partir de 2013, provocando um expressivo aumento do déficit de conta corrente'', afirmam os especialistas da Fecomercio.
Ainda de acordo com o levantamento, até 2013, o consumo das famílias poderá atingir R$ 2,42 trilhões, chegando a R$ 3,29 trilhões em 2020. ''Como os gastos do governo e o investimento privado têm tendência de crescimento superior ao do PIB no curto prazo e o consumo das famílias se mantém potencializado, os efeitos deste fenômeno são evidentes: déficit internacional ou inflação. No momento, o que se tem visto é o aumento do déficit em contas correntes, que já em 2010 pode atingir mais de US$ 50 bilhões. Considerando as projeções iniciais de crescimento populacional, do PIB e do consumo por faixa de renda, a partir de 2013, em valores presentes, o déficit em contas correntes pode atingir US$ 300 bilhões, ou 6% do PIB'', avalia o economista da Fecomercio, Fábio Pina.
http://www.bonde.com.br
