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Ano 6 - Numero 97 - Julho 2010

Jornal da ACIL
"Fui eleito para tomar decisões"

Barbosa Neto: “O que queremos é acessibilidade de qualidade“

Calçadão

"Fui eleito para tomar decisões"

Prefeito Barbosa Neto ressalta a segurança para as deficientes permitida pelo paver e não possível com o petit pavet. E mostra estar consciente de que não tem unanimidade

"Maior shopping a céu aberto do sul do Brasil". Assim o prefeito Barbosa Neto abriu a rápida entrevista concedida no gabinete ao Jornal da ACIL para falar sobre a reforma do Calçadão. Em obras desde o final do ano passado, o local tem sido alvo de polêmicas, críticas e também de elogios à atitude da prefeitura.

"Estamos tirando do papel o que não foi feito em administrações passadas", defende o prefeito. Construído em 1977 com projeto do arquiteto e ex-governador Jaime Lerner, o Calçadão foi criado na Avenida Paraná a partir de um plano de reurbanização das praças Willie Davids, Marechal Floriano e Gabriel Martins. Na época foi colocado um piso chamado petit pavet que acabou se tornando referência do local. Mas aos poucos o londrinense vê a transformação.

A prefeitura já entregou a primeira etapa da reforma, entre as ruas Prefeito Hugo Cabral e Pernambuco. O novo trecho ficou completamente diferente do restante que ainda continua com o formato antigo. As obras custaram R$ 454.944,21 com recursos próprios e incluíram a troca do petit pavet por um piso chamado paver, instalação de canaletas subterrâneas para captação de água da chuva, inclusão de faixa de piso tátil para deficientes visuais, troca dos bancos de madeira e das lixeiras por bancos e lixos de concreto, retirada das grelhas de ferro, troca dos postes de iluminação e a construção de uma fonte luminosa no lugar do antigo coreto.

"O que queremos é acessibilidade de qualidade. Só poderemos dar segurança aos deficientes físicos com esse tipo de piso, o que o petit pavet não proporciona", comenta Barbosa Neto. A afirmação dele vem de encontro com as críticas que a administração recebeu pelas mudanças promovidas no Calçadão. Se de um lado a população reclamava que as pedras estavam soltas e as grelhas quebradas causavam acidentes aos pedestres, do outro a reclamação também foi grande com a mudança do piso e das cores de preto e branco para a inclusão de paver vermelho e amarelo.

De acordo com Barbosa, esse tipo de piso é bastante comum na Europa e no Japão.

"As pessoas tendem a ser conservadoras, nós não vamos destruir nenhum monumento de Londrina", diz. Ao ser questionado se não teme mudar a "cara" do Centro de Londrina, Barbosa Neto lembra as críticas aos ex-prefeitos Wilson Moreira quando fez a Avenida Leste Oeste e Antônio Belinati quando retirou os trilhos do trem. "Unanimidade não tenho, mas fui eleito para tomar decisões. As pessoas poderão avaliar o resultado no futuro", argumenta.

No final de maio, após a entrega da primeira etapa, a prefeitura realizou uma pesquisa para saber a opinião dos londrinenses sobre o novo Calçadão. Embora não fosse influenciar no restante da reforma, a pesquisa era composta de três perguntas: "Você gostou do novo Calçadão?", "O novo Calçadão é melhor do que o antigo Calçadão?" e "O novo piso do Calçadão permite que as pessoas andem sobre ele de forma mais segura?".

Votaram 1.418 pessoas em dois dias. Do total 1.035 (73%) responderam sim à primeira pergunta, 316 (26%) responderam não e 10 (1%) votos foram anulados. Na segunda pergunta 1.066 (75%) pessoas disseram sim, 329 (23%) não e 23 (2%) nulos. Já na última pergunta 1.191 (84%) responderam sim, 201 (14%) optaram por não e 26 (2%) pessoas anularam o voto. Números que mostram aprovação da maioria às mudanças.

Para que as obras no Calçadão sejam concluídas ainda faltam quatro trechos, mas Barbosa Neto está otimista para terminar até 2012 quando termina o mandato dele. "Há previsões que o Calçadão poderá chegar até a avenida Duque de Caxias", informa. "Vamos tomar decisões, independente do que vier, vamos buscar recursos para isso", conclui.

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