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Ano 6 - Numero 96 - Junho 2010

Para Micro e Pequenas
Crédito Facilitado
Sociedade de Garantia de Crédito dá passo importante para sua implantação com aceite do Sebrae à Carta Consulta enviada pelas entidades
Os micros e pequenos empresários de Londrina e região já podem começar a sonhar com créditos mais facilitados e taxas mais baratas. Está cada vez mais consolidada em Londrina a formação da Sociedade de Garantia de Crédito (SGC).
Inspirada em modelos já existentes na Europa, principalmente em Portugal, Espanha e Itália, a SCG é na prática uma instituição formada por entidades privadas com a finalidade de complementar as garantias exigidas dos associados em operações de crédito nas instituições financeiras. Ela não realiza empréstimos diretamente, apenas oferece a garantia exigida.
O primeiro passo já foi vencido. Entidades de Londrina se organizaram e enviaram em março uma Carta Consulta ao Sebrae com a proposta da Sociedade. A Carta foi aceita. "A próxima fase é fazer uma pesquisa entre os empresários, entidades representativas da região e instituições financeiras para realmente ter dados estatísticos de que essa falta de garantia é o empecilho de acesso ao crédito", falou Flávio Locatelli Júnior, coordenador de acesso a serviços financeiros do Sebrae/PR.
Essas informações vão subsidiar a elaboração de um plano de negócios e de toda a projeção financeira da nova entidade. O diagnóstico é que vai dar as informações sobre a necessidade da criação do Fundo Garantidor.
Em Londrina a SCG já tem o apoio de entidades fortes como a Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL), Sicoob, Sindicato do Comércio Varejista (Sincoval), Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais Elétricos (Sindimetal) e do poder público por meio do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (CODEL).
Se é bom para os empresários locais, é bom também para os bancos e instituições de crédito. Com a garantia fornecida pela SGC, os riscos são menores. "Na Europa funciona muito bem porque as empresas não vão direto ao banco. Elas sabem que na SGC terá toda a assistência. Um agente de negócios visita a empresa e já direciona para a instituição financeira mais recomendada. É uma operação sem risco. Se a empresa não paga, a Sociedade de Garantia de Crédito cobre", explicou o coordenador do Sebrae.
"Existem exemplos práticos de grande sucesso. Vemos que tem bastante sinergia com o que o Sicoob prega: fortalecer as micros e pequenas empresas dando acesso democrático ao crédito", falou George Hiraiwa, diretor presidente do Sicoob Norte do Paraná.
Na avaliação dele, o acesso é a grande dificuldade do pequeno empresário. Hiraiwa deu um exemplo. Dias atrás, atendeu uma pessoa que tem um mercado na zona sul. O comerciante vende perto de R$ 50 mil por mês, mas precisa fazer uma ampliação no estabelecimento que custaria em torno de R$ 35 mil.
"É uma pena que esse tipo de pequeno empresário não tenha acesso ao crédito. Mas quando a SGC está por trás ele pode se candidatar. Para os bancos é mais tranqüilo porque teremos a segurança de receber e poderemos fazer uma taxa competitiva. Não precisaremos embutir a taxa de risco na transação", argumentou o presidente do Sicoob Norte do Paraná.
Atualmente no Paraná, além de Londrina que está começando a montar a Sociedade de Garantia de Crédito, outras três regiões no estado já estão em fase mais avançada no oeste, sudoeste e noroeste. No Brasil apenas uma está em operação há cinco anos, a SGC de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.
A experiência tem dado certo com os empresários da serra gaúcha. "Só em diferença de taxas que a empresa obtém nas negociações de crédito é quase 0,5% a menos ao mês. Uma linha de crédito a 2,3% ao mês sai a 1,8% para os associados. Só com a redução da taxas ficaram dois milhões de reais nos caixas das empresas, dinheiro que circula na economia local", comentou otimista Flávio Locatelli Júnior.
A pesquisa com o levantamento de dados das empresas da região deve começar em no máximo 30 dias. Concomitantemente, a SGC já pode começar a ser estruturada com formação de estatuto e diretoria. A expectativa é que possa estar apta a operar em um ano.
Sebrae
O Sebrae tem uma participação importante dentro da criação da Sociedade de Garantia de Crédito. A instituição fará um aporte de dois milhões de reais ao Fundo Garantidor, dará 50% de todo o custeio da nova entidade a ser formada e 100% de assistência técnica como treinamento das pessoas envolvidas.
Desde 1995 existe o Fundo de Aval às Micros e Pequenas Empresas (Fampe) como alternativa exclusiva de complementar as garantias exigidas pelos agentes financeiros.
Em 2008, o Sebrae começou a trabalhar com o modelo de Sociedade de Garantia de Crédito.
"É um sistema mais amplo porque além do fundo, ele presta assessoria ao associado, consultoria e orientar qual a melhor linha de crédito", explica Flávio Locatelli Júnior, coordenador de acesso a serviços financeiros do Sebrae/PR. "O Sebrae não oferece crédito, mas tem a preocupação de aproximar o sistema financeiros das micro e pequenas empresas", conclui ele.

