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Ano 6 - Numero 96 - Junho 2010

Jornal da ACIL
Londrinenes dizem 'sim' à ética

Londrinenses participam da manifestação contra a corrupção no Calçadão

  • Londrinenses participam da manifestação contra a corrupção no Calçadão
Não à corrupção

Londrinenes dizem 'sim' à ética

Ato público reúne cerca de 1,5 mil pessoas no Calçadão de Londrina em protesto pacífico contra a corrupção na Assembleia Legislativa do Paraná

Guto Rocha
Especial para a ACIL

A esperança de viver em um município, em um Estado e em um País dirigido por políticos comprometidos com a população de modo transparente e livres da corrupção foi o elo entre as centenas de pessoas presentes ao Ato Público promovido pela Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL) em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) subseção Londrina. O protesto, realizado no dia 8 de maio no Calçadão de Londrina, foi organizado pelo movimento "O Paraná que Queremos", que pede o afastamento da mesa diretora da Assembleia Legislativa do Paraná. O movimento se realizou também em outros 15 municípios do Estado.

Para muitos, a manifestação foi uma oportunidade de expressar a indignação diante de tantos escândalos envolvendo o meio político. Coberto com uma bandeira do Brasil, o funcionário aposentado do extinto Banestado, Orlando Lopes, 59 anos, afirma que a população está demorando para "acordar". "Este tipo de protesto já deveria estar acontecendo há mais tempo. Não podemos aceitar passivamente o que os políticos estão fazendo com o nosso dinheiro. Se não tivesse tanta corrupção no País, a gente não teria que pagar tanto imposto", acredita.

A estudante universitária Katri Gasparin, 19 anos, também resolveu participar do ato público por acreditar que a mobilização popular pode mudar o jeito de se fazer política no Brasil. Mas lamenta que ainda há pouca adesão por parte da população. "As pessoas ainda não têm consciência do que está acontecendo no meio político, tanto é que o número de participantes aqui ainda é pequeno diante da população de Londrina. Mas já é um começo", afirma.

O estudante de Direito Túlio Viana acredita que o ato público tem o papel de chamar a atenção do público e da mídia para os casos de corrupção na política. Mas ele diz não acreditar que os políticos mudem com este tipo de manifestação. "Tínhamos que atingir as pessoas menos esclarecidas, que são a maioria e não estão aqui. Elas ainda votam em político corrupto", observa. Ele acrescenta que nem mesmo os estudantes universitários se mobilizam para exigir mudanças. "Olha só o tanto de gente que conseguimos reunir para vir aqui no ato público", aponta para um pequeno grupo de colegas que seguravam uma faixa do Centro Acadêmico de Direito da UEL.

Mas para o produtor rural Hélio Batistela, 70 anos, a manifestação contra a corrupção e os desvios de dinheiro na Assembleia Legislativa do Paraná é um bom sinal. "A participação ainda é pequena. Mas é preciso levar em consideração que a grande maioria não acredita mesmo em políticos e ainda vê a corrupção como algo que faz parte da cultura do País. Por isso não dá bola", comenta. Ele avalia que as coisas podem começar a mudar porque os escândalos políticos estão cada vez mais em evidência. "O pior é que não é só na Assembleia Legislativa. A corrupção está em todos os níveis. Você não vê na Câmara Municipal de Londrina? Quantas denúncias estouraram do ano passado para cá?", questiona.

O produtor observa que o movimento não pode morrer. "A imprensa tem feito um papel importante ao divulgar os casos de corrupção e o Ministério Público tem agido com rigor. Mas a população não pode deixar quieto, não. É preciso assumir um compromisso com as mudanças", comenta, defendendo a continuidade de atos públicos de maneira mais radical. "Se não houver alterações na Assembleia, temos que ir para lá, em caravana, gente de todo o Estado, exigir mudanças", defende.

A aposentada Wilma Adriano, 78 anos, afirma que saiu de casa, com alguns vizinhos para acompanhar o ato público. "Isso aqui (o ato) é muito importante. O que os políticos têm feito com o dinheiro público não está certo. Quanto deixou de ser investido em saúde e educação, por exemplo? Eles têm que devolver o dinheiro do povo", afirma.

"De braços cruzados, esperando que o outro faça alguma coisa por nós, já vimos que não dá certo. Por isso resolvi sair do trabalho e vir direto para cá, ajudar a dar voz para tanto descaso com o povo", desabafa a cozinheira Vera Lisboa, 52 anos. Ela acredita que este tipo de manifestação é válida e deveria acontecer mais vezes e por vários motivos. "Já pensou se cada bairro tivesse um movimento como este? Se os moradores fizessem uma reunião cada vez que surgisse um problema? Tudo seria mais fácil de ser resolvido", acredita. Vera diz que este ano eleitoral poderia ser uma boa oportunidade de mudanças. "Espero que as pessoas tomem consciência do valor do voto e se comportem como cidadãos na hora de escolher um candidato", diz.

Para a aposentada Neide Guidugli, 68 anos, o voto também deveria ser uma grande saída contra a corrupção. "Se o candidato foi colocado no poder com o nosso voto, ele também deveria ser retirado de lá, por nós, quando fizesse alguma coisa errada", afirma. Neide também acredita que o ato público possa ser uma maneira de começar uma mudança no País. "A força está com a gente. E vi que não é só Londrina que está se mobilizando por mais ética, mas várias cidades do Paraná. Algum resultado positivo isso tem que dar", comenta.

"Já passou da hora de fazermos alguma coisa para restabelecer a ordem, a ética e a responsabilidade com o dinheiro público", diz o médico José Antonio Morselli Diniz. Para ele, o ato público tem tudo para surtir o efeito esperado, pois levou para o Calçadão pessoas de todas as camadas da sociedade de maneira espontânea, além de contar com o apoio de entidades representativas da sociedade, como a OAB e a ACIL. "Acredito que vamos colher bons frutos deste movimento. Não acredito que a Assembleia Legislativa não vá acatar nossas reivindicações. Em outras épocas, não muito distante, a população se mobilizou e conseguiu derrubar até um presidente da república", comenta, relembrando o movimento dos caras pintadas e o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello.

Outro otimista com os resultados do ato público é o advogado Marco Antonio Teodoro, que assinou o abaixo-assinado que percorreu a manifestação. Ele observa que a mobilização popular recentemente conseguiu instituir e aprovar o projeto de lei Ficha Limpa. "A manifestação popular é um dos poucos meios que temos para conseguir alguma coisa que possa melhor o País", diz.

"Atingimos o objetivo inicial, que era tirar a população da letargia e recuperar a indignação", avalia o presidente da OAB subseção de Londrina, Elizandro Pellin. Segundo ele, foi preciso "um assalto aos cofres da Assembleia Legislativa" para que as pessoas se mobilizassem. "Mas agora vimos que a população está atenta, e pudemos contar com a participação de vários setores da sociedade, com diversas representações religiosas e com as pessoas que vieram manifestar sua indignação", comenta.

O presidente da ACIL, Marcelo Cassa, também ressaltou a importância da participação popular no evento, observando que a aglomeração de pessoas superou as expectativas. "Não só pela quantidade, mas pela representatividade das pessoas que vieram participar do ato", diz. Para ele, Londrina marcou presença importante em um movimento que envolveu todo o Estado.

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