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Ano 6 - Numero 95 - Maio 2010

A Realidade
Segurança adota a transparência
Postura adotada pelo governo estadual permite ao londrinense, finalmente, conhecer o quadro da criminalidade na Cidade, que é grave. Secretário Aramis Serpa revela que maior problema no Estado é a falta de policiais
Uma mudança significativa permeia a segurança em Londrina desde meados deste mês. Não se trata de mais policiais, viaturas ou investimentos em operações especiais ou estrutura. O que tem servido de alento para representantes da comunidade, que lutam contra o agravamento da violência, é que, agora, pode-se finalmente saber o que realmente ocorre na área de segurança em Londrina.
Os comandos das Polícias Civil e Militar podem divulgar os dados, o que era proibido até o final do governo Roberto Requião, quando a Secretaria de Segurança Pública do Paraná estava sob o comando de Luis Fernando Delazari. Logo que assumiu o governo, o ex-vice de Requião, Orlando Pessuti, anunciou que a postura seria outra. Quando o novo secretário de Segurança, coronel Aramis Serpa, assumiu o cargo, a mudança se confirmou.
Os dois principais sinais de transparência vieram, primeiro do comandante do 5º Batalhão da PM, tenente coronel César Kogut, e, depois, do próprio secretário de Segurança. Kogut revelou, durante reunião na ACIL, que o efetivo da PM em Londrina está em cerca de 850 policiais, dado até então não disponibilizado para a população. Alguns dias depois, o coronel Aramis Serpa afirma, em entrevista, que o principal problema da Segurança no Paraná é realmente a falta de pessoal. O quadro mais grave, segundo ele, é o da Polícia Civil, que precisaria aumentar seu efetivo em 50% (mais 2 mil homens). A necessidade na PM seria aumentar o quadro em 20% (mais 4 mil policiais). Ao todo, então, o Paraná precisaria de pelo menos mais 6 mil policiais civis e militares.
Cenário local - Durante o primeiro encontro do comando das polícias Militar, Civil e Federal, promovido pela ACIL no dia 14 de maio, foram apresentados dados que evidenciam o atual cenário da segurança pública em Londrina. O relatório da PM apresentado pelo comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel César Kogut, apontou que no primeiro quadrimestre deste ano foram registrados 1.177 roubos e 1.434 furtos, o que, segundo a polícia, corresponde a uma diminuição, respectivamente, de 11% e 12% em relação ao mesmo período do ano passado. Na ocasião foram: 1.207 e 1.634, respectivamente.
No relatório da Polícia Militar foi feito um demonstrativo da atuação da PM em comparativo entre 2009 e 2010. Os dados apresentados mostram que em 2009 foram apreendidas 619 armas e no só no primeiro quadrimestre, foram 215 apreensões de armas. Durante 2009, a PM efetuou 975 prisões, e até abril de 2010, foram 962. No combate ao tráfico de drogas, aumentaram em 14% as atuações, sendo 105 entre janeiro e abril de 2009 e no mesmo período de 2010, 120. Kogut também destacou a atuação da PM, especificamente no Jardim Bandeirantes, zona oeste, região que tem sido alvo de muitas ações criminosas. A área de atuação da PM neste bairro é de 228 m2 e compreende 12.394 habitantes. Foi colocada uma Viatura POVO, com celular 9951 9818, para o qual comerciantes e moradores podem ligar a qualquer momento. Entre as ações desenvolvidas na região estão: operações de saturação, operação arrastão, operação blitz, policiamento presença e policiamento velado.
O resultado disso, segundo o tenente- coronel, é uma diminuição na quantidade de furtos qualificados e roubos. O primeiro caiu de 49, registrados entre janeiro e abril de 2009, para 42, no mesmo período de 2010. O segundo diminuiu ainda mais. Foram 55 furtos qualificados, entre janeiro e abril de 2009 e 35, no mesmo período de 2010.
Já a atuação da Polícia Civil foi relatada pelo delegado Sérgio Barroso, chefe da 10ª SDP, que apresentou números de presos, percentual de homicídios solucionados e aumento de efetivo.
Barroso destacou, também, a necessidade de políticas públicas para atuarem nas causas da criminalidade, uma vez que a polícia age sobre as conseqüências. Segundo ele, hoje há 2.500 pessoas presas, das quais 124 são traficantes detidos neste ano. De acordo com ele, houve aumento no efetivo com a nomeação de mais dois delegados e 12 investigadores. Com isso, ele disse ter sido possível solucionar 75% dos homicídios.
Os dados da Polícia Federal foram apresentados pelo delegado Evaristo Kuceki. Ele destacou inicialmente os problemas considerados em 2007 com efetivo, viaturas, espaço e atendimento na emissão de passaporte. De acordo com o delegado, no período de janeiro a abril de 2010, foram instaurados 213 inquéritos policiais, sendo 1.373 em andamento e 31 pessoas presas. Foram apreendidas 39.672 gramas de cocaína, sete veículos (atualmente há 83 veículos apreendidos no pátio da delegacia), uma arma de fogo.
Kuceki também destacou as barreiras policiais realizadas em conjunto com servidores da receita federal, entre janeiro e abril de 2010. Foram 15, nas quais foram arrecadados R$ 1.873.494,60, fiscalizados 275 veículos e presas 14 pessoas.
Viatura da Paz - Uma atuação específica da 4ª companhia da Polícia Militar, no bairro Nossa Senhora da Paz, foi apresentada pelo comandante major Geha. A missão da Viatura da Paz, que atua no bairro, de acordo com o major, é preventiva e pacificadora. São três policiais militares que aturam no bairro durante o dia.
O major Geha apresentou o panorama do bairro anterior à Viatura da Paz que foi implantada em setembro do ano passado. De acordo com o relatório apresentado por ele, bairro sofria com tráfico intenso de entorpecentes; rivalidade entre favelas; constantes homicídios e tentativas de homicídios. Havia apenas um acesso ao bairro, o que dificultava o fator surpresa das ações policiais. Não havia viatura destinada a trabalho especial na área, as incursões eram esporádicas e de natureza essencialmente repressiva, não existia vínculo entre população e polícia.
Com a chegada da Viatura da Paz, foram realizados mandados de busca e apreensão constantes, por vezes coletivas, para o combate ao tráfico de drogas. Em todas as favelas rivais, houve aplicação da ROTAM de forma maciça, dificultando atividades ilícitas. Quanto ao à acessibilidade do bairro, o major informou no encontro, que foi construído mais um acesso ao Nossa Senhora da Paz.
Para driblar a ausência de viatura, a ideia era implantar um tipo de policiamento reforçado, que priorizasse a prevenção e mantivesse a repressão, que na avaliação do major também é necessária. Isso foi cumprido com a Viatura da Paz. O major Geha apresentou também um comparativo de ocorrências entre o período anterior à Viatura da Paz e o pós Viatura da Paz.
O número de ocorrências atendidas entre 2008 e agosto de 2009 foi de 102. A partir de setembro de 2009, quando foi implantada a Viatura da Paz a abril de 2010, foram 127. Presos no período de um ano e oito meses, antes da Viatura, fora 27. Esse número, em oito meses (setembro de 2009 a abril de 2010), foi de 10.
Drogas apreendidas em um ano e oito meses, entre 2008 e 2009, totalizaram quase dois quilos maconha, cocaína e haxixe e 1.121 pedras de crack. Já entre setembro de 2009 e abril de 2010, esses números foram: 322 pedras de crack, 23 kg de maconha e 400 gramas de cocaína. O número de homicídios caiu de 4 para 0.



