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Ano 6 - Numero 95 - Maio 2010

Avanço
Tombamento protege mercados municipais
Projeto aprovado pelo Legislativo garante a preservação histórica e cultural dos mercados Shangri-lá, Guanabara e Quebec
Ele acrescenta que o projeto realmente não garante a estadia dos boxistas, mas preserva o prédio pelo que ele representa para a Cidade. Aprovado na Câmara de Vereadores, o projeto 05/2010 declarou de utilidade pública, com a finalidade de tombamento histórico e cultural, os mercados municipais do Shangrilá, Guanabara e Quebec. A discussão vinha se arrastando em plenário desde 1º de março, com várias retiradas de pauta (ficou fora por 10 sessões), mas a matéria foi enfim aprovada em 2ª discussão no último dia 20. Faltava, no fechamento desta edição, a sansão do prefeito Barbosa Neto para que o projeto vire Lei. A discussão ganhou ampla repercussão por conta dos boatos de que os mercados municipais seriam vendidos pela Prefeitura. Boxistas que atuam no local, muitos há mais de 40 anos, lutaram para que os mercados permanecessem da forma como estão. A lei foi um primeiro passo nesse sentido. Além de determinar a preservação da estrutura física das edificações, o projeto estendeu o tombamento às atividades comerciais ali desenvolvidas, definindo que elas também sejam mantidas. “Pela maneira que estava é importante porque pelo menos evita que um investidor só chegue aqui, compre e mude tudo”, afirma Mario Furuta, há 40 anos no Mercado Shangri-lá.
Quem segue a mesma linha de raciocínio é Ricardo Cândido, da Mercearia Gourmet, também no Shangri-lá. “Dá um certo alívio, uma segurança a mais pra nós. Tem muita gente que fez a vida aqui e não sabíamos o que o prefeito podia fazer, poderia ser um grupo grande que comprasse aqui e ia quebrar tudo. Agora, por mais que seja aberta licitação, existe chance de continuarmos aqui”, define.
Inaugurado em 1954, o Shangri-lá faz parte da história londrinense. O local, inclusive, abrigou a primeira Exposição Agropecuária da Cidade. “Esse mercado não pode fechar porque ele é histórico”, defende Mario Yamada, proprietário da mercearia Yoshida, há 27 anos no mercado. Mario Furuta também chama a atenção para a relevância do local. “O mercado virou uma tradição meio sem querer. Se tivéssemos que sair daqui e ir para outro lugar, ia ter outra cara”, analisa.
Mais realista, Paulo Onishi, do Shangri-lá, reforça que o projeto aprovado na Câmara não traz segurança. “Para mim o tombamento não é garantia de nada, não garante nossa permanência aqui”, alerta. De fato, essa não foi a intenção do autor do projeto, vereador José Roque Neto. “Minha primeira preocupação é que o prédio permaneça. Londrina tem 75 anos e não poderia ficar estagnada à Lei estadual e federal sobre tombamento, a Cidade tem história”, afirma Roque Neto.
Onishi conta que está há 40 anos no mercado e nunca teve estabilidade. “Essa história da venda do mercado vem se arrastando desde a época do Wilson Moreira, mas sempre conversávamos e chegávamos a um acordo”, recorda. A falta de segurança acentuou-se nos últimos anos e com isso a manutenção do prédio ficou comprometida. “A manutenção do mercado é feita por nós, a prefeitura nunca manteve nada aqui. Mas como vou investir com segurança se amanhã podem me tirar daqui. Paramos no tempo. Só fazemos a manutenção necessária”, desabafa.
Sobre o projeto, o comerciante avalia que ele foi relevante sob alguns aspectos. “Pelo menos a área externa será preservada, nem interno pode mudar, e o fato de manter a atividade comercial dos boxes foi importante”, cita. Sobre as conquistas obtidas em mais de cinco décadas de trabalho, Onishi define: “O carinho e respeito que ganhamos nesse tempo, se outra pessoa entrar, não vai ter. Não desmerecendo os outros, eles podem até ser melhores, mas será diferente. Aqui tem história”. Guanabara – Representante dos boxistas do Mercado Guanabara, que existe desde 1979, Jorge Torquato ficou satisfeito com a aprovação do projeto. “É uma lei que vem trazer para a sociedade a segurança de que cada mercado municipal da Cidade não vai perder as características. É uma garantia de que o Poder Público não vai poder alienar, sempre vai ser mercado público servindo a comunidade”, descreve.
Torquato adianta que as negociações com a Prefeitura sobre o assunto tiveram avanços. “Após várias reuniões com o prefeito [Barbosa Neto], junto com o nosso advogado José Carlos Abrahão, chegamos a um acordo. O Barbosa [Neto] aceitou uma das propostas que fizemos que zera o contador de tempo das licitações e começa a contar a partir de agora com duração de 5 anos. Nesse período teremos tempo para juntar dinheiro e participar da licitação ou procurar outro lugar.” Ele completa que o valor dos aluguéis será revisto e adaptado à realidade do mercado imobiliário. “Agora poderemos revitalizar o mercado dentro da Lei”, comemora. Torquato afirma que a “briga” para não perder os mercados municipais valeu a pena.
“Sabemos que com o tombamento eles não vão perder as características. Londrina tem história, tem cultura, esse foi o primeiro passo. O prefeito usou o bom senso”. Além de José Roque Neto, assinaram o projeto os vereadores Marcelo Belinati, Gerson Araújo, Roberto Fortini, Joel Garcia, Eloir Valença e Rony Alves.







