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Ano 6 - Numero 95 - Maio 2010

Jornal da ACIL
Abertura do comércio no sábado à tarde dobra vendas

Consumidores aproveitaram o expediente dilatado para colocar as compras em dia

Consumo

Abertura do comércio no sábado à tarde dobra vendas

Levantamento feito pela ACIL sobre o desempenho do varejo da Cidade na tarde de 15 de maio confirma a grande influência dos horários ampliados nos vendas do setor. Enquete da TV Coroados mostra que dois terços dos consumidores querem mais tempo para as compras no sábado

A abertura do comércio de Londrina até as 18 horas no sábado, 15 de maio, praticamente dobrou as vendas em relação a um sábado em que as lojas fecham às 13 horas. A constatação foi feita pela ACIL com base nas consultas ao SCPC – Serviço Central de Proteção ao Crédito e no depoimento de empresas locais. Outra conclusão da entidade é que as vendas registradas apenas no sábado à tarde foram praticamente iguais às verificadas no período da manhã. A diferença ficou em apenas 8%.

“Esses dados mostram que manter o comércio aberto no sábado à tarde realmente aumenta as vendas. Não há como negar isso, porque as vendas no sábado pela manhã foram iguais as que tivemos no terceiro sábado de abril, dia 17, quando as lojas fecharam às 13 horas”, afirma o presidente da Associação, Marcelo Cassa. Foi da ACIL a iniciativa de realizar uma campanha avisando os consumidores que o comércio iria trabalhar na tarde do último sábado.

A ACIL também sugeriu às empresas de Londrina que mantivessem as portas abertas no sábado à tarde, desde que obedecessem as determinações da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho.

A adesão, segundo Cassa, foi grande e mostrou que o comércio quer trabalhar e que os consumidores querem ter mais conforto para fazer suas compras. “Se as lojas tivessem fechado as portas às 13 horas no sábado, as vendas teriam caído pela metade”, ressalta.

A sugestão da ACIL para a abertura no dia 15 à tarde se baseou no fato de que ele foi, na prática, o segundo sábado útil do mês, já que o dia 1º foi feriado do Dia do Trabalho. Na avaliação da entidade, o horário ampliado em dois sábados por mês é uma conquista consolidada em Londrina e que vem sendo respeitada pelo poder público.

Em razão da grande movimentação registrada no comércio após as 13 horas do dia 15, a TV Coroadores, integrante do sistema RPC e Rede Globo, realizou uma enquete no site da emissora perguntando se o espectador era a favor ou contra a abertura do comércio em todos os sábados à tarde. Dos que responderam, 66% aprovam a abertura e 34% são contrários.

A personalidade forte causou divisão na entidade

Paulista de Bebedouro, Omar Mazzei Guimarães veio para o Norte Novo em 1939, administrar a fazenda do conterrâneo Arnoldo Bulle, a 18 quilômetros de Londrina. Estava com 23 anos e casado. Independente, se tornou cafeicultor, pecuarista e dirigente de frigorífico após mudar- se para Londrina em 1945.

Indicado por consenso, assumiu a presidência da Associação Rural de Londrina (ARL) em 18 de março de 1962. Teve o mérito de aglutinar diretores e outros associados, que contribuíram com materiais e financeiramente para a construção do Parque de Exposições, paralelamente à parceria com o Governo do Estado, pelo entendimento entre Celso Garcia Cid e o então secretário de Agricultura, Paulo Pimentel. “Este recinto de exposição é uma obra de iniciativa particular que recebeu o apoio decisivo do Governo do Estado, a ponto de num movimento irresistível, termos deliberado dar a ele o nome do jovem e ilustre chefe do Executivo paranaense”, lembraria Omar no discurso para Castelo Branco. Reeleito sucessivamente, Omar permanece na presidência até 1º de setembro de 1969, quando renuncia ao cargo. A entidade já se denominava Sociedade Rural do Norte do Paraná e a causa foi uma desavença, registrada em ata de 11 de setembro de 1969. Os diretores Celso Garcia Cid, Humberto de Barros e José Lopez afirmaram que o governador do Estado, Paulo Pimentel, condicionava a compra e doação de uma área para ampliar o parque, à renúncia de Omar. Segundo os diretores, o Governador tinha receio de levar convidados ao parque e não ser recebido condignamente, em face do temperamento de Omar, até sentira-se maltratado uma vez.

“Minha cabeça não é tão barata assim”, reagiu Omar, conforme a ata. “Sua cabeça não vale nada”, disse Celso. “E a sua muito menos”, retrucou Omar, lembrando a seguir que o presidente Castelo Branco havia aprovado a sua franqueza.

“Com esta minha atitude, mais um serviço me é dado a prestar a esta entidade, além daquele pouco que acaso pudesse ter tido ocasião de realizar nestes quase oito anos à frente da Rural”, disse ao renunciar. Entretanto, na edição de 4/ 11/69 a Folha de Londrina publicou carta que recebeu do secretário de imprensa do Palácio do Governo, Antônio Brunetti. Trecho: “Ao contrário do que foi noticiado, o Governo do Estado jamais condicionou a concessão de auxílio a SRNP ao afastamento do seu presidente, sr. Omar Mazzei Guimarães. Por outro lado, não corresponde à realidade o fato citado na referida notícia de que o sr. Omar Mazzei Guimarães teria decidido deixar a Presidência da SRNP “a fim de que sua presença não servisse de obstáculo para que a entidade recebesse o auxílio do Governo do Estado”.

“Para que se situe bem a posição do Chefe do Executivo estadual”, prossegue,”é bom lembrar que, no dia 10 de setembro último, quando do despacho realizado em Cornélio Procópio, foi ele procurado por alguns diretores da entidade, que lhe foram comunicar a decisão de convocar assembleia-geral da SRNP para promover a destituição do Presidente, por razões que não compete avivar.”

Recentemente, falando à Rádio CBN, Paulo Pimentel confirmou a história. Desde a renúncia, Omar se manteve afastado da SRP e só concordou em receber uma homenagem em 1986. Morreu em 22 de setembro de 1989.

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