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Ano 6 - Numero 94 - Abril 2010

Segurança
Violência cresce e cobrança acompanha
Onda de crimes violentos coloca Londrina em alerta e leva comunidade a cobrar do Estado providências urgentes para reverter a grave situação enfrentada pela cidade
Homicídios, latrocínios, seqüestros relâmpagos, assaltos, roubos e ônibus incendiados. Tudo isso em apenas um mês. Desde o começo de 2010 até o fechamento desta edição, já haviam sido registrados 60 homicídios. Latrocínios, roubo seguido de morte, oficialmente foram cinco, três deles só no mês de abril. Sidney Mendonça Feliciano, 33 anos, degolado atrás da Universidade Estadual de Londrina depois de ter a motocicleta roubada, Wagner Cardoso Farias, 26 anos, morto a tiros em frente à Unifil após bandidos roubarem o carro dele e Luis Carlos Gonçalves, 31 anos, assassinado também a tiros em frente a sorveteria dele na Vila Yara, Zona Leste da Cidade.
No caso dos ônibus foram quatro em abril. Três ônibus queimados em três dias seguidos no começo do mês em Londrina e um no final do mês queimado em Ibiporã, que fazia a rota de Londrina. Nos três primeiros casos os criminosos ainda distribuíram folhetos com acusações contra o tratamento dado aos presos no Centro de Detenção e Ressocialização (CDR). As autoridades negaram que os atentados tivessem ligações com qualquer facção criminosa que agiria na Cidade.
Mas quais as causas para toda essa violência? Falta de policiamento? Aumento do consumo e tráfico de drogas? Falta de políticas públicas? Geralmente culpa-se a falta de efetivo. Estimase que Londrina possua hoje o mesmo número de policiais que tinha na década de 1980, embora tanto a Polícia Civil como a Militar não divulguem o efetivo por questões de segurança.
Para o delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial, Sérgio Barroso, o problema de segurança pública está diretamente relacionado ao tráfico e não à falta de policiamento. “90% dos casos de criminalidade estão ligados à droga”, analisou ele. “Defendo constantemente que precisamos agir de forma mais complexa, não basta apenas prender traficantes. Ano passado foram presos 357 traficantes e esse ano, só no 1º trimestre, foram 99 presos e ninguém deixou de usar drogas por isso. O que precisamos é tratar os dependentes químicos e uma ação mais eficiente nas fronteiras”, disse Barroso.
A opinião do delegado é compartilhada também pela polícia militar. “Quando acontece esse tipo de situação (o assassinato de Luis Carlos Gonçalves) se culpa explicitamente a polícia, mas o que leva a esses tristes fatos não estão inseridos na nossa capacidade, e sim a drogadição e as condições de vida da população. A falta de polícia vem em segundo lugar”, comentou o tenente Ricardo Eguedis, porta-voz do 5º Batalhão da Polícia Militar.
“Um dos ataques a ônibus foi cometido por um adolescente, latrocida, que há menos de dois meses da sua apreensão tinha sido colocado em liberdade”, contou o tenente Eguedis. “O maior problema do Brasil relacionado à segurança é a impunidade”, frisou o delegado Sérgio Barroso.
O Conselho Municipal de Segurança creditou o aumento da insegurança à falta de transparência na divulgação de dados. “Você sabe onde mora? Não. Você não sabe a qualidade da sua cidade com relação à segurança. Queremos saber onde nós moramos”, cobrou Cláudio Espiga, presidente do conselho. Entre as ações que, segundo ele, deveriam ser adotadas pela Secretaria Estadual de Segurança Pública estão, além da transparência, a criação de pelo menos sete núcleos de proteção ao cidadão em Londrina, investimentos em logística e reuniões mensais para debater a situação.
A ACIL se reuniu com os comandos das polícias de Londrina e da Guarda Municipal na sede da entidade logo após o latrocínio do empresário Luis Carlos Gonçalves. Durante a reunião, a entidade cobrou a integração entre as autoridades de segurança, operações conjuntas, troca de informações e reuniões mensais com a sociedade civil organizada.
“Nós representamos os empresários, então é nossa obrigação quando acontece uma demanda com um empresário, seja ele associado ou não, é atender a situação”, afirmou o presidente da ACIL, Marcelo Cassa. A cobrança surtiu efeito e o novo secretário estadual de segurança pública, Aramis Linhares Serpa, durante a primeira visita oficial como responsável pela pasta concordou com a proposta da entidade.
Para Cassa, as reuniões servirão como formas de debater mais profundamente o problema da violência em Londrina, as causas e as conseqüências do problema e formas de enfrentamentos, sejam com policiamento ou com políticas públicas de inclusão social e prevenção às drogas.
“O secretário admitiu que existe uma falta de comunicação e que deve haver participação de todos, tanto do lado do Estado como da comunidade. Mas sem a informação fica difícil de chegarmos a um lugar comum. Agora acho que vai ser possível”, disse otimista o presidente da ACIL. “A cidade pujante é a que atrai investimentos e às vezes começamos a ressaltar demais as imagens negativas, mesmo que sejam verdadeiras. Nós também somos responsáveis por criar e valorizar fatos positivos. Essa é a postura da sociedade civil, temos que cobrar, mas também fazer juntos para projetar a imagem de Londrina”, conclui Cassa.
Guarda Municipal estará nas ruas em julho
Em treinamento desde o dia 12 de abril, os homens e mulheres que serão a Guarda Municipal de Londrina devem começar a trabalhar de fato nas ruas a partir do dia 1º de julho. Ao todo o efetivo será composto por 200 pessoas 160 homens e 40 mulheres. Começaram o curso 250 candidatos, mas até o fechamento desta edição 15 já haviam sido desligados.
Ao todo eles terão que cumprir 700 horas antes de irem para as ruas, 550 do período básico que compreende aulas de legislação, condicionamento físico, primeiros socorros, por exemplo. Depois eles serão qualificados de acordo com área de atuação como patrulha escolar, cavalaria, guarda ambiental, canil. Nesse período eles terão aulas de tiro, aprenderão a usar armas e dirigir viaturas.
“Nós não teremos o papel da polícia, mas sim de polícia”, disse Benjamim Zanlorenci, secretário municipal de defesa social. “Nosso papel será prestar serviços ao município, patrulhar o lago, o Zerão, o Bosque, escolas, prédios públicos”, explicou ele.
De acordo com o secretário a Guarda Municipal vai atuar de maneira integrada com as polícias militar e civil. “A partir do momento do começo da atuação, vamos desonerar os trabalhos da polícia. Ela vai poder atuar em outras áreas enquanto a Guarda ficará em responsável por outra situação”, falou Zanlorenci.





