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Ano 6 - Numero 94 - Abril 2010

Editorial
Segurança, crimes e diálogo
Quase três anos atrás, a ACIL se empenhou, junto com dezenas de entidades locais, para criar de uma mobilização que expusesse a gravidade da situação da segurança em Londrina e cobrasse das autoridades medidas urgentes e concretas. Estávamos no início do segundo mandato do então governador Roberto Requião, período que sempre abre portas ao diálogo, mesmo que elas não fiquem totalmente abertas como a sociedade deseja.
A mobilização foi fantástica, o londrinense foi para o Calçadão expor sua indignação e mostra ao Estado que sabe cobrar com firmeza, consistência e cidadania. Mais de 5 mil pessoas participaram da manifestação do movimento “Chega de Luto”; nenhum político ou pessoa interessada em ganhar notoriedade pode falar. Quem falou foi Londrina.
E os resultados vieram em seguida. O efetivo da Polícia Militar foi aumentado e a houve melhoria na estrutura dos órgãos ligados à segurança.
Num segundo momento, no início de março, a ACIL optou por não participar de um ato organizado pelo Conselho Municipal de Segurança com objetivo de cobrar as autoridades melhorias para a segurança no município. A decisão foi tomada porque a entidade entendeu que a forma escolhida pelo conselho não era adequada, já que o governo do Estado estaria mudando de mãos menos de um mês depois. E já era mais do que evidente a dificuldade de diálogo com a cúpula do Governo do Estado, em especial com o então secretário
Estadual de Segurança, Luis Fernando Delazari. A ACIL manteve sua posição de focar na mudança de governo para abrir um novo capítulo na questão da segurança em Londrina. A opção se mostrou correta com os mais recentes episódios enfrentados pela Cidade. Desta vez, o secretário de Segurança veio ao município em meio a uma crise de insegurança e se dispôs a ouvir, analisar e tomar medidas de caráter imediato. Dias antes, a Associação havia convocado os comandantes das polícias Civil e Militar e da Guarda Municipal para analisar medidas para combater a ação dos criminosos. As ações foram iniciadas de imediato.
Essa é uma nova realidade, com a qual precisamos trabalhar com uma visão ampla e criteriosa, para que nossas reivindicações tenham a condução certa, o endereço correto e o formato adequado. Foi estabelecido um relacionamento que consideramos transparente e construtivo.
No entender da Associação, o momento é o diálogo. O Governo do Estado abriu suas portas, não apenas o secretário de Segurança, mas toda a cúpula das polícias Civil e Militar do Paraná anunciou esse compromisso durante a audiência pública realizada na ACIL. A Prefeitura assume um papel importante nesse cenário com a criação da Guarda Municipal, que vai para as ruas dentro de dois meses. O prefeito Barbosa Neto deixou claro que considera a segurança um problema grave em Londrina, assumindo assim uma postura diferente do discurso da última administração municipal.
Com o diálogo aberto, nos cabe agora mantê-lo e, acima de tudo, aprofundar nosso entendimento sobre a questão da criminalidade e da violência. Há um conjunto de fatores que precisam ser estudados. Falta investimento no sistema prisional, falta estrutura para o poder Judiciário, as leis muitas vezes permitem que criminosos perigosos sejam soltos - os chamados menores entre eles. Londrina precisa de um programa de prevenção às drogas e de um centro de reabilitação de dependentes químicos, assim como projetos voltados à inclusão social, especialmente de crianças, adolescentes e jovens.
Esses são temas que devem ser colocados em pauta pela sociedade como parte do esforço para reverter o quadro crítico que enfrentamos - junto, é claro, com a postura de manter o diálogo e a cobrança de melhorias junto ao poder público. Precisamos agir nas causas, enquanto combatemos as consequências. Do contrário, estaremos sempre um passo atrás.
