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Ano 6 - Numero 93 - Março 2010

Jornal da ACIL
Procuram-se engenheiros

Alunos de Engenharia Elétrica da UEL: novas gerações de profissionais vão encontrar o mercado ainda mais ávido

  • Alunos de Engenharia Elétrica
da UEL: novas gerações de
profissionais vão encontrar o
mercado ainda mais ávido
  • Sala de aula na Pitágoras: instituição é a que mais oferece cursos
de graduação na Cidade
  • Silvia Cervantes: falta de investimento nos cursos de engenharia faz o Brasil perder o bonde da história
  • Fernando Ciriaco: metade dos alunos demoram mais do que cinco anos para se formar e 15% desistem
Mercado Aberto

Procuram-se engenheiros

Universidades e faculdades de Londrina formam todos os anos cerca de 140 novos engenheiros em diversas áreas, o que a coloca a Cidade entre os grandes centros de formação nessa área no País. Mesmo assim, empresas alertam que faltam profissionais; escolas defendem valorização do ensino de ciências exatas

Lucas Pullin
Especial para a ACIL

“Qualquer desenvolvimento de um país passa pelas engenharias. Aqui falta profissional porque não temos formação” Cláudio Tedeschi

Anualmente pelo menos 30 mil engenheiros de todas as áreas são lançados no mercado de trabalho no Brasil. Em Londrina, esse número está em aproximadamente 140 novos profissionais. Os cursos da área de engenharia são um dos principais pilares do desenvolvimento tecnológico e são determinantes para regiões que buscam o crescimento econômico.

Em países com crescimento bem mais acelerado do que o Brasil, o investimento em áreas da engenharia é pesado. Na Coréia do Sul, por exemplo, são 80 mil novos engenheiros por ano e na China são 400 mil, além dos que já atuam no mercado. Números bem diferentes dos brasileiros e que na opinião de especialistas fazem a diferença se o País busca desenvolvimento.

“Estamos passando por uma fase de rediscussão da engenharia. O peso do trabalho dos engenheiros é muito grande, mas ainda não temos no Brasil o reconhecimento e a valorização devidos da profissão”, lamenta a professora Silvia Galvão de Souza Cervantes, umas das coordenadoras do curso de Engenharia Elétrica da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e inspetora do Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná (CREA – PR). Para ela, “o Brasil está perdendo o bonde da história”.

O investimento em áreas da ciências exatas, não só da engenharia, também serve como parâmetro para comparar o desenvolvimento entre os países. Na China, por exemplo, 53% da formação profissional são em ciências exatas e 47% em humanas. Na Coréia do Sul, 38% em exatas e 62% em ciências humanas. Nos Estados Unidos o índice fica em 45% para ciências exatas e no Chile 40%. Já no Brasil apenas 18% de toda a formação profissional são em ciências exatas. “É um índice ridículo. Qualquer desenvolvimento de um país passa pelas engenharias. Aqui falta profissional porque não temos formação”, afirma Cláudio Tedeschi, presidente da Agência de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina (Adetec). Para ele essa falta de profissionais de engenharia atrapalha até a atração de empresas para a Cidade. “As grandes indústrias querem logística, mão-deobra e não doação de terreno”, analisa.

Um exemplo dessa falta engenheiros na Cidade é observado na Dixie Toga, multinacional instalada em Londrina. A empresa especializada na fabricação de embalagens precisa importar engenheiros de produção porque em Londrina só recentemente foi criado um curso nessa área. “É uma situação bem complicada. Geralmente trabalhamos com estágios de dois anos para efetivação após esse período, mas temos que buscar os profissionais fora como São Paulo, Curitiba, São Carlos e até Maringá”, disse Paula Guerra Medina Gomes, analista de recursos humanos da Dixie Toga. Entre as áreas que a multinacional precisa estão engenharias de produção, de produtos, de processo e em alguns caso elétrica.

“Com certeza seria mais fácil se existissem mais profissionais nessas áreas. Na PUC (Pontifícia Universidade Católica), por exemplo, a maioria dos alunos do curso de Engenharia de Produção já foram ou são nossos estagiários”, afirmou a analista da Dixie Toga.

De acordo com o coordenador dos cursos de engenharia da Faculdade Pitágoras, Fernando Ciriaco Dias Neto, existe no Brasil um déficit de pelo menos 20 mil profissionais. No entanto, a previsão dele é um pouco mais otimista. “Acredito que vamos conseguir suprir essa demanda em 10 anos com a formação de novos profissionais e a abertura de mais cursos de engenharia. Mas até lá, o Brasil vai sofrer com falta de mão-de-obra”, acrescenta.

Para que o País consiga suprir a demanda serão necessários investimentos, tanto do governo federal como do setor privado. “Para desenvolver o mercado interno surge a necessidade de revitalizar a indústria. Isso significa inovar nos processos de produção. Para que isso ocorra, no entanto, é necessário pessoal formado nas áreas chaves como metalmecânica, engenharia civil, química e física e daí ‘bate na trave’ porque nas faculdades 90% dos cursos são voltados para a ciências humanas”, comenta Cláudio Tedeschi.

Além de falta de profissionais de engenharia, outro problema é o despreparo de muitos estudantes ao entrar em uma universidade. Os cursos não são fáceis e têm duração mínima de cinco anos.

Fernando Ciriaco afirma que 50% dos estudantes demoram mais do que cinco anos para se formar e até 15% desistem no meio do caminho. “O aluno chega com deficiência em áreas básicas como português e matemática. Portanto, antes de entrarmos com a disciplina de Cálculo, base da engenharia, precisamos dar dois módulos de matemática básica”, diz.

Na opinião da engenheira elétrica Silvia Cervantes, não bastam investimentos só na formação dos novos engenheiros, mas na educação de base. “Pegamos os melhores do ensino médio, mas quando chegam na faculdade eles apanham para concluir o curso. Nossa formação é pesada e muitos desistem”, comenta a professora da UEL.

O que a Cidade oferece - Ao todo cinco faculdades em Londrina oferecem cursos de engenharia. Na Universidade Estadual de Londrina são dois cursos de graduação, Elétrica e Civil, dois cursos de especialização, Engenharia de Estruturas e de Segurança no Trabalho. Além de dois cursos de mestrado em Elétrica e Edificações e Saneamento.

A Unopar oferece três cursos de graduação: Engenharia de Computação, de Alimentos e Elétrica. Na Unifil é um curso de Engenharia Civil na graduação e outro na pós-graduação em Engenharia de Software com UML. A PUC oferece um curso de graduação em Engenharia de Produção.

Já na Pitágoras são seis cursos de graduação em funcionamento: Engenharia Elétrica, Química, da Computação, Controle de Automação, Civil e Ambiental. Mais dois devem ser aprovados pelo Ministério da Educação ainda este ano, Engenharia Mecânica e de Produção. Além disso, a faculdade oferece três cursos de especialização em Proteção de Sistemas Elétricos de Potência, Academia Cisco CCNA e em TV Digital e Telecomunicações.

O que a cidade oferece

UEL
- Graduação
Engenharia Civil
Engenharia Elétrica
- Pós-graduação
Engenharia de Estruturas
Engenharia de Segurança no Trabalho
- Mestrado
Engenharia Elétrica
Engenharia em Edificações e Saneamento

UNOPAR
- Graduação
Engenharia da Computação
Engenharia de Alimentos
Engenharia Elétrica

UNIFIL
- Graduação
Engenharia Civil
- Pós-graduação
Engenharia de Software com UML

PITÁGORAS
- Graduação
Engenharia Elétrica
Engenharia Química
Engenharia da Computação
Engenharia de Controle e Automação
Engenharia Civil
Engenharia Ambiental
- Pós-graduação
Proteção de Sistemas Elétricos de Potência
Academia Cisco CCNA
TV Digital e Telecomunicações

Engenheiros formados por ano
China - 400 mil
Coréia do Sul - 80 mil
Brasil - 30 mil

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