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Ano 6 - Numero 93 - Março 2010

Cidades Inovadoras
Grandes inovações começam pelo bairro
Evento realizado em Curitiba reúne mais de 3.500 pessoas de diferentes perfis e mostra que soluções e melhorias exigem participação direta do cidadão e começa na comunidade
Nós somos, definitivamente, os principais agentes transformadores da sociedade. Mas, então, porque elegemos representantes para cargos públicos e abdicamos do nosso direito de participar das mudanças que precisam acontecer?
A comunidade, o cidadão dito comum, sem cargo público tem, permanentemente, a função de participar de ações voltadas para a melhoria de seu bairro, de sua cidade, porque essas ações vão refletir em benefícios em escala muito maior. Cobrar do poder público as melhorias necessárias é apenas um dos nossos deveres.
Seguindo essa linha de raciocínio, a Conferência Internacional de Cidades Inovadoras, que aconteceu em Curitiba na primeira quinzena de março, reuniu mais de 100 especialistas nacionais e internacionais na gestão inovadora de conglomerados urbanos e humanos. Houve troca de experiências e propostas sobre a participação da população em busca de soluções para problemas sociais. Foram apresentadas informações para melhorar a vida dos cidadãos e abrir novas perspectivas de desenvolvimento econômico e social sustentável.
O evento atraiu mais de 3.500 participantes, em quatro dias de palestras, painéis e conferências. A iniciativa foi do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em copromoção com as prefeituras de Curitiba, Lyon (França), Londres (Inglaterra), Bengaluru (Índia) e Austin (Estados Unidos).
Os principais temas apresentados foram o “Reflorescimento das Cidades”, a “Reinvenção do Governo a Partir das Cidades”, a “Governança do Desenvolvimento nas Cidades” e “Cidade Rede e Rede de Cidades”.
O palestrante britânico Richard Barnes afirmou que o desenvolvimento sustentável do planeta passa obrigatoriamente por novas formas de organização das cidades. Jean Michel Daclin, de Lyon, acrescentou que o processo de busca por soluções inovadoras nas cidades passa obrigatoriamente pelo cuidado com a educação e a mobilização de toda a sociedade local. Para o representante do Banco Mundial, Makhtar Diop, o papel da instituição é favorecer o intercâmbio entre as cidades de diferentes partes do mundo. Ele acredita que esse trabalho que vai crescer muito no Brasil.
O presidente da FIEP, Rodrigo Rocha Loures, disse que reunir especialistas de todo o mundo foi uma vitória. “Planejamos o evento para 500 convidados de três continentes e 20 cidades. Quando percebemos, tínhamos interessados de todos os continentes e representantes de mais de 55 cidades. Alguns nem cobraram pela participação, porque ficaram muito otimistas com os frutos que podem surgir do encontro”, lembra.
Integrantes de universidades internacionais e sete altos funcionários das Nações Unidas foram presenças que Rocha Loures destaca. “Mas tivemos um público bastante diversificado, como urbanistas, funcionários públicos, mais de 300 vereadores e universitários de todas as áreas, o que nos surpreendeu porque não imaginávamos o quanto as pessoas já estão em busca de formas de participar das mudanças sociais.”
O Brasil tem um histórico de colonização baseado na exploração da população e em políticas paternalistas e assistencialistas, com alguns episódios como exceção. Mas o brasileiro em geral não foi educado para ser proativo nos rumos de sua vida e da comunidade.
Além disso, o Brasil pode ser considerado uma nação nova, se comparado com povos europeus e asiáticos.
Porém, hoje, com a velocidade da Internet, as ações podem ser concretizadas muito mais rapidamente. Rocha Loures comemora o sucesso do evento inclusive no ambiente virtual. “O twitter entrou para a lista dos resultados expressivos da Conferência. Já no primeiro dia do evento, a ‘tag’ #2010CICI foi para o topo da lista das mais citadas no microblog, desbancando políticos e artistas de sucesso”. Ele comenta que em razão da grande procura pelo evento foram criados 40 grupos de trabalho para acompanhamento online, “e, mesmo com um custo de R$ 100,00 por inscrição, tivemos mais de 1.200 participantes pela Internet”.
Destaca, ainda, que os jovens e as mulheres somaram 70% do público da Conferência. “Isso mostra que ambos os grupos estão cada vez mais ativos no exercício da cidadania e as mulheres têm apresentado um empreendedorismo espetacular, especialmente nos segmentos da saúde e da educação.”
Outra evolução de comportamento observada no evento foi a aplicação da tecnologia não só como ferramenta para aquisição de bem estar material, mas também como meio para aperfeiçoamento das relações sociais. “Sem esquecer que todas as ações devem estar ancoradas na ética”, destaca Rocha Loures.
A Conferência deu origem ao programa Cidades Inovadoras, uma iniciativa do Sistema FIEP que engloba um conjunto de ações de curto, médio e longo prazos voltadas ao desenvolvimento local. O objetivo é criar ambientes urbanos propícios à inovação e negócios sustentáveis.
A cidade de Curitiba foi escolhida para iniciar o programa, dentro do projeto “Curitiba 2030”, desenvolvido em parceria com a prefeitura e a Fundação OPTI (Observatório de Prospectiva Tecnológica Industrial da Espanha). Iniciado no ano passado, o projeto “Curitiba 2030” objetiva influenciar o planejamento da cidade no longo prazo e criar um ambiente urbano que atraia, retenha e desenvolva pessoas, empresas e investimentos.
No encerramento do encontro, o analista político e articulador do comitê científico da Conferência, Augusto de Franco, encaminhou a proposta de constituição de uma Rede Global de Cidades Inovadoras (RCI). A RCI vai ser criada em ambiente virtual com a finalidade de unir pessoas de todo o mundo envolvidas com inovações em áreas urbanas, para possibilitar a troca de experiências e soluções entre as cidades. “Essa não vai ser uma rede de governos, mas uma rede de pessoas”, afirmou o analista.
Para Rodrigo Rocha Loures, a Conferência foi o “maior debate mundial sobre planejamento urbano e desenvolvimento e tem potencial para mudar um bairro, uma cidade, o mundo, pois, acima de tudo, as pessoas precisam ser felizes”.
Congresso debate Responsabilidade Socioambiental
Londrina sedia, nos dias 21 e 22 de maio, o III Congresso Nacional de Responsabilidade Socioambiental com a missão de estimular as reflexões sobre sustentabilidade. A promoção é da Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento do Paraná, (ABTD/PR). É a segunda vez que o Congresso acontece em Londrina; a primeira edição também foi aqui, em 2008.
É possível afirmar que a sustentabilidade está difundida em várias organizações, instituições e indivíduos, que trabalham para consolidar conceitos como: ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito. São fundamentos essenciais para a estruturação da sociedade de uma maneira mais equilibrada. Nesse processo, um fator essencial de transformação é a educação. Assim, a Educação é o tema central desta III edição do Congresso.
Especialistas de diferentes segmentos abordarão os assuntos educação, responsabilidade social e meio ambiente. Dra. Susan Andrews, psicóloga e antropóloga pela Universidade de Harvard (EUA), é responsável pela palestra de abertura. A especialista também é doutora em Psicologia Transpessoal pela Universidade de Greenwich (EUA) e coordenadora do programa Visão do Futuro. Outro convidado é o presidente do Sistema FIEP, Rodrigo da Rocha Loures. Ele também vai lançar em Londrina seu livro “Sustentabilidade XXI: educar e inovar sob uma nova consciência”, que traz aspectos importantes sobre o assunto.
O III Congresso Nacional de Responsabilidade Socioambiental acontece no Parque de Exposições Governador Ney Braga. As inscrições podem ser feitas pelo site www.abtdpr.com.br.



