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Ano 6 - Numero 93 - Março 2010

Perto da Eleição
Entidades criticam novo mínimo regional
Sindicatos patronais questionam critérios do governo ao definir um índice de 5% para funcionalismo estadual e de até 21,5% para trabalhadores da iniciativa privada
Pelo quarto ano consecutivo o salário mínimo regional do Paraná está bem acima do aplicado nos outros estados brasileiros. Desde o primeiro ano do atual mandato, Roberto Requião criou o “mínimo regional” que teve esse ano seu maior reajuste. Deputados paranaenses aprovaram por unanimidade o aumento e a partir de 1º de maio. O salário mínimo regional vai variar entre R$ 663,00 e R$ 765,00, valor entre 9,5 e 21,5% superior aos números atuais.
“... os índices aplicados pelo Governo foram eleitoreiros e não contam com credibilidade e estudo aprofundado” Valter Orsi
O reajuste impressiona pelo alto percentual aplicado. Presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Londrina, Valter Orsi, questiona os novos valores. “Esse aumento de 21,5% de um ano para o outro mostra que não tem parâmetro. O governador aplicou no funcionalismo público um aumento de 5%. Ele toma essa posição dentro de casa e fora o reajuste é de até 21,5%, o que demonstra que os índices aplicados pelo Governo foram eleitoreiros e não contam com credibilidade e estudo aprofundado”, analisa.
A visão é compartilhada pelo presidente do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem de Londrina, Hélio Mizokoshi. “Queria entender como funciona essa lógica: no Governo o aumento é de 5%! Nossa economia, nosso segmento, não comporta aumentos na ordem de 14%, de 20%”, desabafa. Para ele, os valores salariais não deveriam ter interferência direta de leis, mas ser uma coisa mais estudada.
“Queria entender como funciona essa lógica” Hélio Mizokoshi
Orsi aponta outro entrave para o aumento excessivo do mínimo. O Paraná, diz ele, corre o risco de virar uma “ilha de importação de produtos”, pois com os altos valores do mínimo regional vai acabar exportando mãode- obra e importando produtos dos Estados vizinhos. “Quem vai querer produzir aqui se ali é mais barato?”
Sobre a categoria do Sindimetal, Orsi lembra que há uma convenção vigente e um salário definido, mas afirma que a discussão sobre o mínimo regional gera instabilidade nas negociações. “Tivemos a necessidade de um período maior de negociações e a categoria ficou sem convenção nesse tempo. Com isso, o piso estadual estaria um pouco acima do nosso piso, o que consideramos uma ingerência na negociação”, destaca.
O mínimo regional é pago aos trabalhadores que não têm acordo coletivo e o piso estabelecido é dividido em quatro faixas salariais. Trabalhadores da agricultura que hoje recebem R$ 605,52, vão receber R$ 663,00; para quem atua em serviços administrativos, domésticos e gerais, vendedores e trabalhadores de reparação, o salário sobe de R$ 615,10 para R$ 688,50. Trabalhadores da produção de bens e serviços industriais deverão receber entre R$ 625,06 e R$ 714,00. Técnicos de nível médio passam a receber R$ 765.00. Vale lembrar que o salário mínimo nacional é de R$ 510,00.
