Home / Jornal Impresso da ACIL / Ano 6 - Numero 93 - Março 2010 / Lição de união
Ano 6 - Numero 93 - Março 2010

Editorial
Lição de união
A noite de 3 de março de 2010 tem um lugar reservado na história de Londrina. Foi num jantar, com a participação de algumas centenas de empresários, que a iniciativa privada deu um passo vital para interagir, da forma mais construtiva possível, com o poder público municipal. Mais do que um passo, foi um trecho coberto num só dia, numa noite.
A adesão de Londrina ao Movimento Brasil Competitivo (MBC), com a criação do Movimento Londrina Competitiva, foi além do que previam seus organizadores – a ACIL entre eles. Mais ainda do que o fundador, Jorge Gerdau, e os dirigentes do MBC poderiam prever. Londrina passará a ser usada como case do movimento nacional, pela maciça adesão e por ter dobrado o número total de patrocinadores da organização.
Ao final do jantar, cerca de 120 empresários haviam se tornado patrocinadores do Movimento Londrina Competitiva, que vai custear uma consultoria de alto nível para dotar a prefeitura de um sistema de gestão direcionada à redução de custos operacionais e otimização de desempenho em áreas estratégicas. Uma ferramenta comum no meio empresarial, mas raro no universo do poder público, cujos resultados já são conhecidos em cidades como São Paulo.
O “azeitamento” da máquina pública municipal, como foi dito no evento, é um considerado por empresas e cidadãos um alvo tão conhecido quanto aparentemente inatingível. As experiências do MBC mostram que é possível e que a metodologia está consolidada, como mostram os resultados. Em Londrina o trabalho será realizado num prazo de 17 meses e começa em breve. Isso significa que no meio do segundo semestre de 2011 a Prefeitura de Londrina deverá viver uma nova realidade.
Para a ACIL, o fator histórico contido na noite de 3 de julho não se refere apenas à adesão de Londrina ao MBC. Na verdade, foi a presença e a capacidade de união dos londrinenses que tornaram o momento tão especial, tão forte. Foi eleito pelo fundador do movimento como case nacional. A frase do atual presidente do MBC, Erik Camarano, é emblemática: “Ficamos muito impressionados com a capacidade de mobilização de Londrina”.
Há nesse contexto um fato que merece uma análise mais profunda. Por anos, imputou-se a Londrina uma característica de não conseguir unir as forças que tem. De ser uma cidade com pouca tradição de união. Esse conceito sempre nos incomodou e, agora, a cidade mostra que tem sim capacidade de seu unir e ela é muito maior que pessoas de fora imaginam e maior do que o próprio londrinense consegue ver.
Engana-se quem supõe que o evento do dia 3 foi algo inédito. Recentemente, Londrina se uniu para salvar o Hospital do Câncer, que é hoje uma outra instituição, que caminha com solidez e cumpre sua missão com louvor. Temos outros exemplos, como a criação do Fórum Desenvolve Londrina, uma iniciativa que vem pensando a cidade de uma nova forma, com uma visão mais aprofundada, mais de longo prazo. E o Natal do Amor, que reuniu mais de 100 entidades e organizações privadas e públicas e resultou na construção, na praça Tomi Nakagawa, de uma das maiores e mais belas árvores de Natal do País.
Mesmo assim, na nossa avaliação, devemos tomar o jantar do dia 3 como um case para Londrina, que deve ser analisado e valorizado como um marco da união. Não foi um evento de grandes empresários para defender seus interesses, foi um encontro de empresários de vários perfis interessados – e comprometidos – em criar no município condições de transformar a Prefeitura numa máquina superavitária e capaz de fazer os investimentos que os cidadãos precisam.
A Londrina Competitiva é uma ferramenta, que o prefeito Barbosa Neto já se comprometeu a usar integralmente. Os empresários estão cotizados, ou seja, estão investindo num projeto por acreditarem que a cidade vai ganhar. Esse é um exemplo de participação consciente, ética e produtiva do setor privado no poder público, sem partidos, sem interesses individuais.
Trata-se de um grande exemplo de Londrina para o País e uma grande lição de união de Londrina para Londrina. Outras virão.
