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Ano 6 - Numero 93 - Março 2010

Desenvolvimento
Londrina competitiva vira 'case' nacional
Adesão do empresariado londrinense supera expectativas da diretoria do MBC. Presidente da Oscip ficou impressionado com a capacidade de mobilização de Londrina
Londrina tornou-se um case nacional para o Movimento Brasil Competitivo (MBC). É o que garante Erik Camarano, novo presidente da organização fundada em 2001 pelo empresário Jorge Gerdau. Na última reunião do Conselho Superior do MBC, realizada dia 23 de março em Brasília, Gerdau relatou com destaque a mobilização das cerca de 120 empresas londrinenses. Elas se cotizaram para viabilizar financeiramente a instalação de um braço do MBC na Cidade: o Movimento Londrina Competitiva (MLC). O custo do projeto é de cerca de R$ 2,5 milhões.
“Ficamos muito impressionados com a capacidade de mobilização de Londrina. É um caso que chama atenção e muda nosso parâmetro de comparação”, diz Camarano. Desde que o MBC implantou seu primeiro Programa Modernizando a Gestão Pública (PMGP), em 2005, no governo de Minas Gerais, apenas 97 empresários se apresentaram como financiadores em 17 iniciativas realizadas em todo o País. E, num único dia, no jantar de lançamento do MLC, dia 3 de março, no Buffet Planalto, os londrinenses conseguiram 120 adesões.
Por meio de uma metodologia a ser aplicada pelo Instituto de Desenvolvimento Gerencial (INDG), o movimento pretende azeitar a máquina da administração municipal e obter ao menos R$ 35 milhões anuais para serem investidos no desenvolvimento da Cidade – basicamente nas áreas de educação e saúde. “Londrina será um benchmarking para o Brasil pela capacidade de organização e articulação que as lideranças conseguiram e pelos resultados que virão”, afirma o expresidente do MBC, Cláudio Gastal, que participou do lançamento do MLC, no Buffet Planalto.
De acordo com ele, o movimento tem cinco princípios básicos: ser um projeto nacional, trabalhar em parcerias público-privadas, oferecer apoio tecnológico qualificado, buscar o compromisso das lideranças e promover a transparência. Gastal afirma que o setor público ainda precisa passar pelo que a iniciativa privada viveu na década de 90, ou seja, “incorporar a gestão como ferramenta de aumento de competitividade”.
“Nós acreditamos que o setor público, sozinho, não tem condições de fazer a busca da eficiência. Por isso, criamos o programa de modernização da gestão pública”, afirma. Gastal conta que, por meio dos projetos implantados até hoje, foi possível um ganho total de R$ 11 bilhões, com a melhoria da arrecadação e dos gastos públicos.
“Existe uma forma de responsabilidade social para a qual, infelizmente, nós no Brasil ainda não despertamos suficientemente. É o aprimoramento das instituições”, aponta o fundador, Jorge Gerdau, que também esteve em Londrina. Ele lembra que, ainda na década de 90, foi chamado pelo então governador do Rio Grande do Sul, Alceu Collares, para aplicar o conceito de qualidade na administração pública. “Estou convicto que a maior colaboração que nós empresários temos para dar ao setor público e ao terceiro setor é nossa vivência administrativa.”
Gerdau ressalta que apenas conhecimento não é suficiente. “Na minha vida pessoal eu aprendi que o conhecimento sem sistema, sem método, ele se perde”. E receita: “É preciso humildade para ensinar e disciplina para aprender”. De acordo com o fundador do MBC, para cada real aplicado nos projetos desenvolvidos até agora junto ao setor público, o retorno foi de “75 a 95 vezes esse valor”.
Modernizar é fundamental, afirmam empresários
Para o presidente da ACIL, Marcelo Cassa, o Movimento Londrina Competitiva é mais uma mostra da evolução da Cidade. “Faz anos que a ACIL vem afirmando que Londrina entrou numa nova fase econômica e que a sociedade está mais participativa. É só ver iniciativas como a do Fórum Desenvolve Londrina. Então, recebemos com naturalidade a participação do empresariado em mais este projeto. O que surpreende é a velocidade com a qual nós atingimos a meta”, afirma o presidente da ACIL, Marcelo Cassa.
As duas primeiras fases do projeto – que envolvem receitas e despesas e processos internos – vão custar R$ 2 milhões e, portanto, o dinheiro necessário para custeá-la já está garantido com a arrecadação de R$ 2,2 milhões. Mas, para realizar a terceira fase – específica nas áreas de educação e saúde – ainda faltam R$ 300 mil. Por isso, os empresários ainda estão buscando novos patrocinadores. E a ACIL procura outras adesões entre os associados.
“Quando a prefeitura arrecada e gasta mal, ela afeta nossa vida. Se o cidadão tem de ir a Prefeitura e enfrentar uma fila demorada, isso repercute na produtividade de todos nós. E, gastando mal, a prefeitura deixa de investir em infraestrutura e em setores estratégicos para o desenvolvimento, como a educação e a saúde”, afirma o empresário Flávio Meneghetti, um dos principais articuladores do movimento.
Ele lembra que, após vencer as eleições, o prefeito Barbosa Neto (PDT) divulgou a intenção de contratar uma consultoria para melhorar a máquina pública, mas que o projeto corria o risco de ficar no papel por falta de recursos. “Foi aí que um grupo de londrinenses procurou o prefeito e o então secretário de Gestão Pública, Kentaro Takahara, e se ofereceu para mobilizar a comunidade e viabilizar o projeto”, afirma.
Flávio Meneghetti: “gastando mal, a prefeitura deixa de investir em infraestrutura e em setores estratégicos para o desenvolvimento, como a educação e a saúde”
A empresária Kimiko Yoshii é outra entusiasta da Londrina Competitiva. “Uma máquina pública emperrada atrapalha tudo”, avalia. Segundo ela, quem deseja uma gestão pública moderna tem que se engajar no movimento. “Acho que o prefeito Barbosa está tendo um momento muito feliz de contar com o auxílio dos cidadãos que querem uma cidade desenvolvida.”
Para Marcos Holzmann, com a Londrina Competitiva, a Cidade dará um “salto qualitativo” no combate ao desperdício e aos sonegadores. “Isto acarretará em incremento de receita para se aplicar nos segmentos de educação, saúde e infraestrutura.” Ele convida os demais empresários a se juntar à iniciativa. “Além da cidadania, estamos pensando também em nossos próprios negócios, nossas famílias, pois se a Cidade vai bem, todos temos chance de ir bem”, acrescenta Holzmann.
Outro integrante do grupo organizador, o empresário Oswaldo Pitol ressalta que a classe empresarial não espera nenhuma vantagem própria em troca dos recursos aportados. “Queremos apenas nossa Cidade bem administrada e desenvolvida.” Para ele, a administração pública está muito atrasada e “esse atraso vem de décadas”. A Oscip está agora procurando os cerca de 120 financiadores para formalizar os contratos. É a própria organização quem irá arrecadar e movimentar o dinheiro. “Os recursos vão direto para o MBC, uma instituição extremamente confiável, liderada por um empresário reconhecido nacional e internacionalmente”, destaca Pitol.






