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Ano 6 - Numero 92 - Fevereiro 2010

Jornal da ACIL
Dengue, o inimigo espreita

Agente sanitária vistoria quintal cheio de entulhos na área central de Londrina: descuido é o maior fator de risco

Alerta

Dengue, o inimigo espreita

Excesso de chuvas tem favorecido a proliferação de focos do mosquito Aedes aegypti. Medo é de surto de dengue hemorrágica

Jaime Kaster
Especial para a ACIL

Mal venceu o medo generalizado da gripe A (H1N1), no final do inverno, a população de Londrina voltou sua a preocupação para o combate à dengue no verão, problema que exige igual ou maior preocupação. Neste verão ela preocupa em dobro, devido ao clima amplamente favorável à reprodução do mosquito Aedes aegypti – transmissor da doença. As chuvas em excesso desde o final do ano passado têm favorecido a criação de focos, pois o mosquito se reproduz em qualquer água parada.

Também há riscos da forma hemorrágica da doença este ano, pelo fato de muitas pessoas já terem contraído em anos anteriores um outro vírus. E neste caso, ela pode ser fatal.

De acordo com o diretor de Informações em Saúde da 17ª Regional de Saúde e também coordenador regional de controle da dengue, José Carlos Moraes, o vírus que as pessoas contraíram em maior escala no Paraná foi o sorotipo 3. “Os tipos 1 e 2 circularam muito pouco e se ocorrerem este ano, a pessoa que já pegou o tipo 3 tem probabilidade de pegar a dengue hemorrágica ao ser contagiada principalmente pelo tipo 2, pois seu organismo facilita a entrada do novo vírus. Mesmo com as medidas de controle, estamos sujeitos a uma epidemia”, adverte Moraes.

Em 2008 ocorreram alguns casos de dengue hemorrágica na Regional de Londrina, mas sem nenhum óbito. A situação mais grave foi 2003, quando foram confirmados em Londrina quatro casos de dengue hemorrágica e duas mortes.

A enfermeira responsável pela Vigilância Epidemiológica da 17ª RS (que abrange 21 municípios na região de Londrina), Nádia Takemura, diz que o risco de nova epidemia na região existe porque os índices de focos do mosquito estão acima do considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

O aceitável é no máximo 1% de focos nos lares e em Londrina em alguns bairros da Zona Leste (como o José Bonifácio) esse índice chegou a 4,55% no final de 2009.

Em Cambé e Ibiporã a média levantada em novembro foi de 2,4% e 2,8%, respectivamente, segundo a Vigilância Epidemiológica da 17ª RS.

Região Metropolitana - “O ir e vir na região metropolitana é muito grande. Por isso, se há outros municípios vizinhos com alto índice de infestação ou mesmo bairros de Londrina em situação crítica, a doença pode se alastrar rapidamente”, adverte Nádia Takemura.

As doenças transmissíveis causadas por um vetor – a dengue é uma delas – se disseminam com muito maior rapidez que as demais, pois um mesmo mosquito pode picar várias pessoas e circula pela cidade toda. “Por isso não podemos deixar que se reproduza facilmente, como vem ocorrendo”, diz ela.

A dengue é difícil de ser combatida porque exige cooperação de todas as pessoas. “Exige trabalho conjunto e constante dos moradores e agentes públicos, além de treinamentos das equipes médicas. Tudo isso tem que estar redondinho, para não haver falhas. Se houver vacilo o mosquito acha lugar para se reproduzir e aí complica”, alerta Nádia.

Em Londrina - O trabalho da Vigilância Sanitária da Secretaria de Saúde de Londrina tem sido intenso. Diariamente são destacados 200 agentes para visitar as casas e combater focos. O número de casos confirmados em 2009 em Londrina foi de 92 (balanço divulgado dia 5 de janeiro), contra 151 casos em 2008 e 827 casos em 2007. Os dados são da Secretaria Municipal de Saúde.

Apesar da redução de casos em 2009, os índices de focos do mosquito (mesmo os não infectados) estão muito elevados. Londrina saiu de um índice médio de infestação de 1% (registrado em novembro) para 4,5% nos primeiros dias de janeiro. De acordo com o diretor da Vigilância Sanitária, João Martins, até dia 17 de fevereiro foram confirmados 32 casos em Londrina.

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