Home / Jornal Impresso da ACIL / Ano 6 - Numero 92 - Fevereiro 2010 / Passado triste, futuro nobre

Ano 6 - Numero 92 - Fevereiro 2010

Jornal da ACIL
Passado triste, futuro nobre

Antigo Cadeião, hoje: ruínas num dos pontos mais centrais da Cidade

  • Antigo Cadeião, hoje: ruínas num dos pontos mais centrais da Cidade
  • Darci Piana durante reunião com diretores da ACIL e o prefeito Barbosa Neto: parceria que revitalizou o Paço da Liberdade, em Curitiba, servirá de modelo para iniciativa em Londrina
Rua Sergipe

Passado triste, futuro nobre

Prédio que durante décadas foi a grande mancha da rua Sergipe, o chamado Cadeião será transformado em centro cultural. Parceria entre Fecomércio e Prefeitura promete ser uma das âncoras da revitalização da rua

Lucas Pullin
Especial para a ACIL

Espaço para oficinas culturais, mostras de vídeo e exposições de arte são algumas das atividades previstas para a antiga cadeia pública, o “Cadeião” de Londrina, que será revitalizada dentro do projeto da Nova Sergipe anunciado pela Prefeitura. Desativado desde 1994, o local no início da rua Sergipe é ligado à 10ª Subdivisão da Polícia Civil e será restaurado graças a uma parceria entre a Prefeitura e a Federação do Comércio do Paraná (Fecomércio).

A proposta da parceria foi feita pela prefeitura quando a Federação procurou o poder público para negociar uma área para a construção da nova sede do Sesc e do Senac no município. “Não podíamos ampliar as sedes que já temos em Londrina por conta da idade dos prédios e pela falta de espaço para novas obras. Procuramos o prefeito Barbosa Neto e propusemos que a Prefeitura nos doasse um terreno na avenida Saul Elkind, próximo ao Hospital Zona Norte. No início o prefeito foi contra, mas após se reunir com a equipe de governo concordou em fazer a doação desde que assumíssemos a revitalização do Cadeião”, conta Darci Piana, presidente da Fecomércio.

Segundo ele, a restauração do prédio calhou com outro projeto desenvolvido pela entidade em Curitiba, a revitalização do antigo Paço da Liberdade, prédio do início do século XX e que até o final da década de 1960 foi a sede da prefeitura da capital paranaense. “Em parceria com o Sesc, Senac, Sebrae, Banco do Brasil e prefeitura, nós revitalizamos o prédio que estava abandonado, como o Cadeião de Londrina, e lá hoje funcionam oficinas, mostras de cinema, teatro, exposições além de um café. Com isso as ruas no entorno do Paço que eram repletas de prostitutas, traficantes e usuários de drogas foram restauradas e hoje é outra realidade no local.”

Para que fosse possível a revitalização do imóvel e de toda a região que fica bem no coração de Curitiba, a prefeitura reduziu pela metade, por dez anos, o IPTU dos imóveis que tiveram a fachada reformada. Para os proprietários que reformaram todo o imóvel, a prefeitura de Curitiba zerou o imposto pelo mesmo período. O município entrou com a restauração das ruas e das calçadas. O Banco do Brasil também participou e reduziu juros de empréstimos para os mesmos lojistas.

“Fomos ao Banco do Brasil e conseguimos R$ 360 milhões para emprestar aos lojistas a juros de 0,72 ao mês e 96 meses para pagar.” A ideia, diz Piana, é fazer basicamente a mesma coisa em Londrina.

O município deverá ceder no modelo de comodato por 25 anos à Fecomércio a exploração do Cadeião, mas antes a cessão deverá ser aprovada na Câmara Municipal. A partir disso o Executivo deverá repassar toda a documentação do imóvel e a entidade terá então 180 dias para começar transformar a antiga cadeia pública em centro cultural. “No Paço da Liberdade em Curitiba a revitalização durou dois anos e meio. Em Londrina será mais rápida porque já existe o projeto elaborado pela prefeitura; só vamos fazer algumas modificações.”

Essas modificações vão elevar também o orçamento inicial. Pela proposta da prefeitura a revitalização do Cadeião custaria R$ 1.470.000, mas com as alterações que os engenheiros e arquitetos da Fecomércio farão no projeto as obras devem custar aproximadamente R$ 1.700.000. Todo o dinheiro para as obras e equipamento do centro cultural será da entidade.

O presidente da Fecomércio fez um apelo aos lojistas presentes: “Participem. Vocês vão ganhar muito em volume de negócios”.

O dono da LD Decorações e Presentes, Luis Carlos Hervantini, gostou do que ouviu. “Acho que vai ser muito bom fazer o mesmo na Sergipe. Temos que nos mexer. Acredito que a revitalização do Cadeião vai trazer muita gente para a rua”, afirma. “Fiquei empolgado. Mas não podemos ficar só na conversa: um projeto tem de ter começo, meio e fim”, diz Celeste Catori, da Casa dos Doces.

Questionado sobre a existência de um centro cultural junto com a delegacia central e com o Centro de Triagem da Policia Militar, que também funciona no local, Darci Piana foi enfático: “A convivência vai ter que existir, mesmo com presos chegando ao lado. Se no futuro tivermos a possibilidade de também adquirir o prédio da 10ª Subdivisão, aí sim teremos um centro cultural à altura da cidade de Londrina”.

Outras edições do jornal