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Ano 6 - Numero 92 - Fevereiro 2010

Distorção
Fórum quer resgatar significado da política
Entidades que compõem o Fórum Desenvolve Londrina elegem o terceiro setor como tema dos estudos em 2010. Um dos focos é rever o preconceito e debater a política como ciência da justiça social
Anualmente, desde 2005, o Fórum Permanente de Planejamento Estratégico para o Desenvolvimento Sustentável de Londrina, ou Fórum Desenvolve Londrina, tem a sensível e complexa missão de apreender, entre tantos, um tema importante para o desenvolvimento da Cidade e apresentar proposições.
Essas diretrizes podem ser desenvolvidas tanto pelo poder público como por entidades, empresas e especialistas. O importante é que as ações, baseadas nas diretrizes do Fórum, levem a soluções, a mudanças e, como conseqüência, à melhoria da qualidade de vida da população londrinense.
O Fórum é formado por 30 entidades, de vários segmentos, que se reúnem toda quinta-feira para estruturar o tema selecionado e trocar informações. O empresário e presidente da Adetec, Cláudio Tedeschi, que integra o Fórum, diz que a entidade não tem a função de mostrar como as propostas poderão ser desenvolvidas. “Na verdade, esse é um grupo filosófico, propositivo, cívico, que procura estimular o londrinense a pensar de forma setorizada sobre as necessidades da Cidade.”
Em 2007 o Fórum lançou o primeiro estudo, “Ensino Fundamental – instrumento de mudança”. O material propõe o fim do assistencialismo gratuito, políticas educacionais planejadas para a nação e não apenas para o período do mandato do político que está no poder, mais verbas para o ensino fundamental, entre outras. A implantação do ensino fundamental integral é uma proposta em estudo pela atual administração municipal.
O estudo de 2008, “Desenvolvimento Empresarial – oportunidade para todos”, inspirou uma parceria entre a Adetec e Fiep para a criação de um programa que incentive o comportamento empreendedor entre os jovens. A lei da micro e pequena empresas também, assim como o Porto Seco. Também está em fase de desenvolvimento a proposta de criação de um centro de transferência de tecnologia e um parque tecnológico para Londrina. A modernização e melhoria da eficiência da administração pública e a criação de um observatório de políticas públicas com a participação plena da comunidade são proposições que integram este trabalho. O Imposto Sobre Serviços (ISS) tecnológico é uma ação concreta em estudo e que pode conceder benefícios fiscais para empresas do setor. “Nós propusemos projetos perenes, integrados e que envolvam toda a comunidade. Os agentes da sociedade estão concretizando as ideias”, acrescenta o consultor do Sebrae, que faz parte do Fórum, Sérgio Garcia Osório.
No ano passado, a “Mobilidade Humana – segurança, liberdade e educação no trânsito” orientou campanhas como a Pé na Faixa, que alerta para os cuidados que motoristas e pedestres devem ter no sentido de evitar acidentes por negligência. Entre as principais orientações do tema Mobilidade Humana estão o planejamento urbano integrado ao trânsito, educação permanente para o trânsito com foco na criança, combate à cultura da impunidade etc.
O Fórum não fica restrito ao grupo das entidades que o movimentam. A cada tema são convidados especialistas, que ministram palestras abertas para a comunidade. Para o tema ligado à educação, por exemplo, esteve em Londrina o articulista da revista Veja Cláudio Moura e Castro.
Outra característica do Fórum é que não há debates. Para Tedeschi, o debate “emocionaliza” e provoca divisões. Durante os encontros, as instituições trocam informações, registram uma proposta e o grupo as aprova, ou não, por consenso. O empresário brinca, dizendo que “o Fórum é um espaço para acabar com a VICA – vaidade, inveja, ciúme e arrogância”.
Ozório destaca que a organização propõe uma mudança no estigma cultural de se deixar conduzir, para uma postura da sociedade assumir seu próprio rumo. Ele acrescenta que a maioria dos políticos têm uma visão de apenas quatro anos e não para gerações futuras. “Assim, cabe à sociedade civil organizada se envolver e ser um agente ativo das mudanças de longo prazo que acredita serem as melhores para a coletividade.”
Este ano as reuniões do Fórum estão centradas no terceiro setor. “A ideia é elaborar propostas que incentivem tanto as organizações não governamentais como outras formas de instituições que prestam serviços para o bem comum a ampliarem seu verdadeiro papel de agentes transformadores da sociedade”, diz Tedeschi.
Eles lembram que a própria ACIL tem feito um papel além de apenas defender interesses de uma categoria, tem se envolvido em ações que abrangem a coletividade. “Isso é muito importante”, destaca Ozório.
Uma das propostas ligadas ao terceiro setor deve ser a criação de redes para fortalecer e agilizar as ações das organizações. Em Londrina o grupo também se dedica este ano a propor uma reflexão mais profunda sobre o termo política. “A sociedade tem hoje uma visão pejorativa do termo, em razão da política partidária, mas política é, na verdade, a ciência da justiça social e este sentido precisa ser resgatado pelo terceiro setor e também por toda a sociedade”, acrescenta.
A idéia de um fórum articulador de condutas sociais pelo bem de todos nasceu na cidade de Jacksonville, nos Estados Unidos. Tedeschi comenta que foram necessários 10 anos de perseverança dos seus integrantes até que os governos e instituições dessem credibilidade a suas propostas. Segundo Tedeschi, a cidade de Bilbao, na Espanha, triplicou seu Produto Interno Bruto (PIB) em 10 anos, a partir da adoção de medidas baseadas no Fórum que implantou.
O formato foi aplicado também em outras cidades brasileiras. “Aqui, imaginamos que pode levar mais tempo para que as proposições passem a balizar ações do poder público e da sociedade, mas este é, de fato, um projeto de longo prazo e não pode haver espaço para desânimo. É um trabalho de formiguinha que temos certeza está gerando resultados sólidos no futuro para Londrina e para quem aqui reside. Cada cidadão pode abrir mão do seu ponto de vista em benefício da comunidade, é o que propõe o Fórum”.
Entidades participantes do Fórum:
ACIL, Adetec, APL de Tecnologia da Informação, APP Londrina, Associação Médica de Londrina, Caixa, Câmara Municipal de Londrina, FIEP, Codel, Crea-PR, Embrapa, Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, Iapar, Infraero, IPPUL, Londrina Convention & Visitors Bureau, Câmara Municipal de Londrina, PUCPR, Sebrae, Siai, Sindicato Rural de Londrina, Unimed, Sindimetal, Sinduscon, Sociedade Rural do Paraná, UEL, Unifil, Unopar.




