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Ano 6 - Numero 91 - Janeiro 2010

Jornal da ACIL
Uma nova Sergipe

Falta de manutenção das calçadas, fachadas deterioradas, poluição visual e comércio informal são alguns dos problemas apontados pelo grupo

Revitalização

Uma nova Sergipe

Melhorar a infraestrutura e valorizar o patrimônio histórico são algumas das alterações propostas pelo grupo

Nelson Bortolin
Especial para a ACIL

Renovar a Rua Sergipe é a proposta de um grupo formado por representantes da ACIL e outras 15 entidades, empresas, instituições de ensino superior e órgãos públicos municipais. A equipe, reunida por iniciativa da Rede Massa de Televisão, participou de uma oficina coordenada pelo Sebrae nos dias 13, 14, 20 e 21 de novembro do ano passado. Nesses encontros, foi realizado um planejamento estratégico para viabilizar a revitalização da Sergipe, via que reúne um dos mais valiosos patrimônios históricos municipais. As propostas serão apresentadas aos lojistas pela ACIL no dia 28 de janeiro.

“Enquanto veículo de comunicação, entendemos que temos de nos envolver com as causas da cidade e a revitalização desse patrimônio que é a Rua Sergipe é uma delas”, justifica Daniela de Souza, coordenadora de marketing da TV Cidade/Rede Massa. “Por isso, a televisão tomou a iniciativa de enviar cartas-convites às entidades. Fizemos uma reunião prévia na ACIL em outubro e depois as oficinas coordenadas pelo Sebrae, em novembro”, lembra.

Antes de elaborar as propostas, o grupo apontou as principais “fraquezas” da rua. Entre elas, estão a fachadas deterioradas e a “poluição visual em detrimento do valor histórico”. Também foi registrada a falta de manutenção das calçadas e das redes elétrica e de esgoto e a presença ostensiva do comércio informal, além do “trânsito caótico” e da falta de segurança. A equipe ainda considerou ser necessário melhorar a qualidade do atendimento aos clientes do comércio local.

Algumas da ideias do plano de ação desenhado pelo grupo são: melhorar o visual e a infraestrutura da rua, identificar e preservar os imóveis com valor histórico, restaurar as fachadas e incentivar o turismo e as atividades de lazer e cultura no local (veja quadro com a principais propostas).

“Vamos reunir os empresários da Sergipe no dia 28 [de janeiro] para apresentar e discutir as propostas do grupo. Queremos criar um comitê de lojistas para viabilizar essas ações”, explica o presidente da ACIL, Marcelo Cassa. “A realização do projeto depende do esforço de todos. A Rua Sergipe pode ser a primeira de Londrina a ter um projeto arquitetônico conjunto”, afirmou.

Para o gerente do Sebrae, Heverson Feliciano, a Rua Sergipe tem sua importância histórica consolidada, mas precisa se “reinventar empresarialmente”. “Existe um público consumidor cativo que procura a Rua Sergipe. Este público está ganhando poder aquisitivo e passa a ficar mais exigente. Os lojistas precisam explorar melhor esta situação para não perder a clientela”, acredita. A ideia, segundo ele, é transformar a via num shopping a céu aberto.

Feliciano ressalta que o trabalho realizado pelo grupo, por enquanto, é uma proposta. “O empresário da rua precisa discutir e participar das decisões daqui para frente. Por exemplo: o trânsito no local está caótico. Tem gente que acha que o ônibus não deve continuar passando por ali, outras pessoas acreditam que deve. O lojista precisa participar desse processo que vai influenciar diretamente em sua vida”, afirma o gerente do Sebrae.

PARA LOJISTAS, MUDANÇAS DEVEM SER URGENTES

Najila Nabhan, empresária e presidente do Sincoval, afirma que a Rua Sergipe precisa de intervenções urgentes. “As calçadas estão esburacadas e o trânsito de pedestre está prejudicado pelas mercadorias dos ambulantes dispostas na calçada. Os imóveis estão mal conservados”, enumera. Ela lembra que, em Curitiba, a Rua Riachuelo, que tem uma vocação parecida com a da Sergipe, foi toda revitalizada em um trabalho de parceria entre a Fecomércio, o governo do Estado e a prefeitura da Capital. “Nós precisamos de algo assim”, alega Najila.

A empresária, que desde pequena acompanha o comércio da Rua Sergipe, onde os pais sempre tiveram lojas, confirma que a clientela tem ficado mais exigente nos últimos anos devido a um aumento de poder aquisitivo.

Outro antigo comerciante da Sergipe, Tadamassa Ajimura reivindica mudanças urgentes no local. Ele reclama principalmente do estado das calçadas. “A gente vê todos os dias pessoas idosas caindo e se machucando. As senhoras acabam quebrando os saltos das sandálias por causa dos buracos na calçada”, afirma. Outra queixa de Ajimura é o trânsito. “Deveria haver sinaleiro com tempo para pedestre. Tem sempre gente sendo atropelada nas esquinas”, afirma.

Tendo passado praticamente toda sua vida na Sergipe, onde desde os 8 anos acompanhava o trabalho do pai, ele viu a rua ser transformada de chão batido para paralelepípedo e de paralelepípedo para asfalto. Mas hoje, aos 69 anos, não se mostra muito otimista quanto a uma possível revitalização. “Desde os anos 80, quando alargaram as calçadas, não se faz mais nada por aqui”, justifica. Segundo ele, a rua mudou muito dos anos 80 para cá. “O comércio foi se espalhando mais para a periferia da cidade”, avalia.

O grupo é formado por: Acil, Copel, Faculdade Inesul, Faculdade Pitágoras, Instituto Acquametropole, Prefeitura (Codel, Secretaria do Ambiente, Secretaria da Cultura, Ippul e CMTU), PUC, Rede Massa, Sebrae, Senac, UEL e Unopar.

PRINCIPAIS PROPOSTAS

- Identificar os imóveis com valor histórico;
- Criar incentivo fiscal para manutenção desses imóveis;
- Fazer parceria com os cursos de arquitetura para revitalização de fachadas;
- Implantar a lei da “Cidade Limpa”;
- Explorar a Rua Sergipe do ponto de vista do turismo;
- Propor ao Museu de Arte a realização de eventos culturais como atrativo turístico;
- Identificar o comércio informal da rua e do seu entorno;
- Padronizar quiosques alinhados com o projeto de revitalização;
- Melhorar a iluminação pública;
- Instalar monitoramento por câmeras de segurança;
- Diagnosticar as potencialidades do comércio local;
- Criar grupo de discussão entre os empresários da rua;
- Flexibilizar o horário de funcionamento do comércio;
- Fazer alterações no trânsito;
- Definir as ações de responsabilidade do Poder Público.

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