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Ano 6 - Numero 90 - Dezembro 2009

Desenvolvimento
Os números de Londrina
Documento, feito para contribuir com o planejamento do futuro da Cidade, reúne 40 indicadores de áreas vitais.
O número de acessos à Internet de banda larga cresceu 229% na Cidade de 2006 a 2009, passando de 121 para 397,9 por mil habitantes. Esta é uma das revelações que constam do manual de indicadores de 2009, divulgado dia 17 de dezembro pelo Fórum Desenvolve Londrina, do qual faz parte a ACIL. O acesso à Internet é apenas um dos 40 indicadores estudados pelos integrantes do órgão, que há quatro anos se reúnem todas as quintas-feiras, das 8 às 10 horas da manhã.
Este é o quarto manual elaborado pelo grupo, que foi criado em 2005. Boa parte dos indicadores apresenta números coletados a partir de então. Mas há casos, como a taxa de abandono do ensino médio, em que as estatísticas retroagem a 1999. “Acredito que, quando o Fórum completar dez anos, o manual vai mostrar, com clareza, a evolução da Cidade nas mais diferentes áreas”, afirma o consultor Sérgio Garcia Ozório, representante do Sebrae no Fórum.
Com os dados organizados em mãos, o Fórum acredita que o Poder Público, a iniciativa privada e o terceiro setor poderão planejar o futuro da Cidade.
Segundo o documento, quando completar 100 anos, em 2034, Londrina deve ser “humana, segura, saudável, tecnologicamente avançada, integrada com a região Norte do Paraná e globalmente conectada, com uma economia diversificada e dinâmica promovendo o equilíbrio social, cultural e ambiental”.
Os indicadores que o manual reúne são os mais diversos, desde o volume de recursos aplicados em projetos sociais, passando pelo coeficiente de mortalidade infantil, número de mestres e doutores formados no município, volume de exportações e importações, índice de consumo de energia elétrica e taxas de evasão escolar.
Para Florindo Dalberto, representante da Associação dos Engenheiros Agrônomos no Fórum, o manual tem a função de provocar a Cidade a reagir. “Eu diria que o papel dos indicadores é criar um grau de desconforto nas autoridades, nas lideranças. Ao ver que o grupo está enxergando problemas e levantando dados concretos, essas lideranças percebem que é preciso se mexer”, acredita.
DEBATES AMPLIAM VISÃO DA CIDADE
Além de reunir as estatísticas, o Fórum Desenvolve Londrina elege todos os anos um tema a ser debatido e aprofundado. O resultado deste trabalho é publicado ao final do ano, com diagnósticos e propostas. Em 2007, o tema foi Ensino Fundamental – Instrumento de Mudança. No ano passado, o grupo discutiu o Desenvolvimento Empresarial – Oportunidade para Todos. E, neste ano, o Fórum debateu Mobilidade Humana – Segurança, Liberdade e Educação no Trânsito, documento que foi divulgado em novembro.
Ao fazer isso, os integrantes acreditam que estão promovendo uma visão não segmentada de Londrina “Por exemplo, quando discutimos o ensino fundamental, esse não era um tema familiar para a maioria de nós. E ficamos debruçados sobre ele durante um ano. O resultado foi que o tema acabou entrando na agenda de empresários, políticos, que não tinham relação direta com a educação”, diz Florindo Dalberto. O representante do Sebrae confirma. “No meu dia a dia, estou voltado às questões empresariais. Mas, com o trabalho do Fórum, começo a me preocupar com saúde, educação, meio ambiente. O desenvolvimento não acontece só pela parte econômica”, declara Sérgio Ozório.
Embora não tenha papel de executar projetos, as discussões feitas no Fórum já renderam frutos palpáveis. “O próprio porto seco [Teca], eu apontaria como um resultado concreto dos debates feitos no grupo”, diz o presidente do Fórum e também da Associação Médica de Londrina, Antonio Caetano de Paula. A Infraero, responsável pelo Teca, é um dos integrantes do órgão.
A lei municipal da micro e pequena empresa, o parque tecnológico que a PUC pretende construir em parceria com o Poder Público e outras entidades, e o Projeto Pé na Faixa são citados por Ozório como conseqüências das discussões feitas no grupo. Para o presidente da ACIL, Marcelo Cassa, é preciso ampliar o campo de visão para se poder entender a realidade do município e se construir políticas públicas bem fundamentadas, de resultados concretos. “Essa é nossa proposta de um grupo de entidades locais desde a criação do movimento Avança Londrina, que resultou na criação do Fórum”, acrescenta o empresário. “Os indicadores elevam a qualidade das análises e a escolha dos temas anuais aprofunda os debates sobre a Cidade.”
TERCEIRO SETOR É O TEMA DE 2010
A Taxa de Organização do Terceiro Setor é o tema escolhido pelo Fórum Desenvolve Londrina para ser discutido em 2010. “Londrina tem cerca de mil entidades que não se conversam. Nossa expectativa é muito grande porque, pela primeira vez na história do município, haverá um estudo aprofundado sobre o terceiro setor”, explica o integrante do Fórum e secretário do Sistema de Apoio Institucional (Siai), Marcel Antoine Haswany.
Para discutir o tema e elaborar o estudo que será divulgado no final do ano, o Fórum irá convidar especialistas para as reuniões das quintas-feiras. É esta a sistemática adotada pelo grupo. Somente para debater o trânsito, em 2009, foram convidados 19 palestrantes, entre eles um dos maiores entendidos do assunto no País, Luís Riogi Miura, que assina o prefácio do estudo divulgado em novembro.
Os três estudos elaborados até agora e o manual de indicadores de 2009 podem ser encontrados para download no site: http://www.forumdesenvolvelondrina.org


![Caetano de Paula: “O próprio porto seco [Teca], eu apontaria como um resultado concreto dos debates feitos no grupo”](http://www.acil.com.br/img/jornal/302/caetano_43_0.jpg)
