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Ano 6 - Numero 88 - Outubro 2009

Jornal da ACIL
Desenvolvimento, na origem

Maria das Graças: “O projeto deu uma mexida nos moradores”

  • Maria das Graças: “O projeto deu uma mexida nos moradores”
  • Vinícius Bueno: Possibilidade de unir interesses de moradores, trabalhadores e comerciantes do bairro
  • Sara Mafra: “Vi que podemos ter atuação comunitária”
  • Expectativa para este ano é arrecadar 5 toneladas de alimentos em Londrina
Participação

Desenvolvimento, na origem

Projeto da Fiep mostra para comunidades como resolver problemas comuns e abandonar o idéia de que tudo é culpa do poder público. Conceito de governança compartilhada é a base da iniciativa

Erika Pelegrino
Especial para a ACIL

A praça abandonada, a falta de acesso ao bairro, a iluminação precária, a ausência de um salão paroquial para as festas da comunidade. Diante de problemas como esses o comportamento mais comum é a comunidade se sentir impotente, uma vez que são de responsabilidade do poder público. O Projeto Político de Desenvolvimento das Cidades o Paraná, proposto pela Rede de Participação Política do Empresariado, uma iniciativa do Sistema Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em parceria com a Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná, está mudando essa atitude.
“O projeto é uma iniciativa apartidária da Fiep que visa empoderar a comunidade para que busque o desenvolvimento local”, explica a articuladora do projeto de Desenvolvimento Local em Londrina, Gislane Syllos. Esse trabalho é feito a partir da disseminação da idéia de governança compartilhada. Os próprios moradores tomam a iniciativa de melhorar o lugar onde vivem e buscam parcerias com o poder público e com a iniciativa privada para concretizar as mudanças, com apoio da Fiep.
No Paraná, 33 diferentes localidades e 200 mil pessoas estão envolvidas no projeto. Em Londrina, sete bairros já têm implantado o projeto de Desenvolvimento Local. O primeiro foi a Vila Recreio, em junho do ano passado, segundo Syllos. Hoje, mais seis bairros estão envolvidos: Hemital, Jardim Felicidade, Vila Yara, Jardim Castelo, Jardim Maringá, Conjunto Nova Esperança.
Para fazer parte do projeto os critérios são mínimos, de acordo com Syllos. É preciso que haja algum núcleo de mobilização, mesmo que não seja uma associação de moradores constituída, que 1% da comunidade esteja mobilizada e que haja um local apropriado para as reuniões. A partir daí, segundo a articuladora, são realizadas quatro reuniões. Na primeira, os moradores são convidados a sonhar o bairro que querem para daqui 10 anos. Nas outras, são levantadas as qualidades e as deficiências do local e feito o agendamento de ações para começar a construir o bairro que sonham para a próxima década.
Em seguida é celebrado o Pacto de Desenvolvimento Local. Nessa ocasião, o grupo mostra para o poder público, empresários e o restante da comunidade as ações priorizadas para os próximos seis meses. Nos seis meses seguintes são avaliadas ações concretizadas e determinadas quais serão as próximas. Nesse momento é realizado o evento “Nós fizemos”. Syllos afirma que mais nove bairros estão na fila de espera. “Nosso sonho é levar o projeto para 80% dos bairros de Londrina.”
O papel da Fiep nesse trabalho, de acordo com Syllos é ser articuladora dos acessos necessários para que a comunidade viabilize suas ações, através de parcerias; ajudar a mobilizar a comunidade e capacitar esses moradores.“ Já realizamos três cursos de capacitação para elaboração de projetos”, afirma. União - Cada um dos bairros envolvidos já está conseguindo realizar algumas ações. Roberto Machado, presidente da associação de moradores do Heimtal explica que a prioridade elencada pelos moradores é a construção de salão paroquial para as confraternizações da comunidade. “O barracão atual não tem mais condições de uso”, afirma. Se um novo espaço para as festas não passava de sonho, com a implantação do projeto da Fiep na comunidade, já começa a se concretizar. “Conseguimos uma parceria com a UEL (o escritório de Arquitetura – Ocas) que fez o projeto do novo barracão”, diz Machado.
Mas o grande saldo da implantação do projeto da Fiep, segundo Machado, é a mobilização da comunidade. “O maior problema nosso era a desunião, por isso o projeto é importante.”

No Jardim Felicidade, antiga favela, hoje com 120 casas populares, não havia nem mesmo uma associação de moradores. Para mobilizar a comunidade foi preciso primeiro concretizar uma melhoria no bairro. O projeto Desenvolvimento Local em parceria com o Núcleo Espírita Esperança instalado no local, fez uma parceria com o projeto Oásis da UEL e moradores e alunos construíram uma praça no bairro, no mutirão “Mão na Massa”.
“A partir dessa ação, os moradores ficaram estimulados”, explica Syllos. Agora vão celebrar o Pacto de Desenvolvimento Local. Outra experiência que já está em andamento é a da Vila Yara. O presidente do bairro, Vinícius Bueno, afirma que há dois anos a comunidade luta para conseguir resolver a falta de acesso ao bairro. “Queremos uma interligação entre a avenida Francisco José Ferreira e a rua Noitibó”, afirma. A implantação do projeto da Fiep ajudou a comunidade a se unir para buscar soluções para o problema.
“Foi possível unir interesses de moradores, trabalhadores e comerciantes do bairro. Unimos essas três realidades para conseguir as soluções que precisamos”, avalia Vinícius Bueno. No primeiro bairro a ter o projeto implantado, a Vila Recreio, o vice-presidente da associação de moradores, Fernando Vagner de Oliveira afirma que a reforma da praça do local, principal reivindicação do bairro, estava engavetada na Prefeitura há cinco anos.
“Depois que a comunidade se uniu para buscar soluções para o bairro através do projeto de Desenvolvimento Local, em três a projeto já está em fase de licitação das obras”, afirma. “A Fiep abre as portas para nós. E os moradores também passam a assumir com maior responsabilidade as ações para melhorar o bairro.”
Transformação - Sara Mafra, 59 anos, professora, vive no bairro Jardim Maringá desde 1983. Quando chegou no lugar os três filhos ainda eram crianças. Seu foco de atuação sempre foi profissional, nunca teve uma participação na vida do bairro. Com o projeto de Desenvolvimento Local seu olhar sobre as possibilidades de atuação do cidadão mudou. “Vi que podemos ter uma atuação comunitária’, afirma.
Ela conta que foi participar de uma reunião da Fiep e acabou se transformando em intermediadora da federação e o bairro e entrou para a diretoria da associação de moradores. Ela está trabalhando junto com a comunidade pela estruturação do centro comunitário do bairro, pela utilização mais adequada do Lago Igapó/aterro e a uma maior visibilidade do Jardim Maringá com ações focadas na área cultural.
Maria das Graças Sampaio, 52 anos, vive na Vila Recreio há 15 anos. É lá também que ela tem seu estabelecimento comercial, uma padaria. Ela afirma que o projeto Desenvolvimento Local conseguiu trazer mais dinamismo em busca de melhorias. “As pessoas aqui são muito acomodadas. O projeto deu uma mexida nos moradores”, diz. A prioridade do bairro é a reforma da praça para que o lugar seja ocupado pelos moradores e diminua os problemas de segurança. “Nosso sonho é trazer uma academia ao ar livre para a praça”, afirma.
Já conseguiram dar importantes passos para concretizar o sonho da praça. Através de parceria, fizeram um projeto de reforma que foi apresentado à Prefeitura. Recursos para a obra foram liberados e a iluminação do lugar já melhorou. “As lâmpadas foram colocadas abaixo da copa das árvores, o que torna o lugar mais iluminado e já foi feita a poda duas vezes”, afirma a articuladora do projeto da Fiep em Londrina, Gislane Syllos.

Coleta de Alimentos, no dia 7, vai beneficiar 74 entidades

O Dia Nacional da Coleta de Alimentos acontecerá pelo quarto ano consecutivo em supermercados de todo Brasil. Serão mais de 130 lojas que disponibilizarão seu espaço para os 4 mil voluntários fazerem a captação de alimentos no dia 7 de novembro, das 8h as 19h30. “Nos últimos três anos a iniciativa arrecadou mais de 116 toneladas e para 2009 o nosso objetivo é que sejam arrecadadas, pelo menos, 85 toneladas de alimentos”, diz Francesco Tremolada, coordenador nacional do Dia Nacional da Coleta de Alimentos.

Em Londrina a mobilização vai ser grande. Mais de 200 voluntários já estão inscritos para trabalhar na coleta, que este ano será realizada nas seis lojas da rede Super Mufatto. Este é o terceiro ano consecutivo que a Cidade participa. O objetivo, segundo a coordenadora de coletas de Londrina, Rosângela Liuti Ponce, é arrecadar, pelo menos, 5 toneladas de alimentos que serão distribuídas em 74 entidades.

“Nossa última arrecadação foi de 5 toneladas e pretendemos ultrapassar esse número. Todas as entidades atendidas são realmente carentes e dependem de ajuda para funcionar.” As entidades beneficiadas são cadastradas no Banco de Alimentos Mesa Brasil, responsável por toda a logística da campanha. “Em Londrina a coleta começou atendendo 57 entidades, hoje são 74 e queremos aumentar esse número”, afirma a coordenadora. Os alimentos coletados em Londrina serão separados e armazenados no Sesc Aeroporto e serão distribuídos conforme a necessidade de cada entidade.

A Coleta de Alimentos nasceu há 16 anos nos Estados Unidos, seguido por França e Itália. Também se propagou em outros países europeus onde existem bancos de alimentos. No Brasil, a ação começou a ser realizada pela CdO em 2006, nas cidades de São Paulo e São Bernardo do Campo. Nos dois anos seguintes, outras 17 cidades aderiram ao gesto. Em 2008 cerca de quatro mil voluntários arrecadaram mais de 58 toneladas de alimentos. No dia 07 de novembro deste ano, o Dia Nacional da Coleta de Alimentos acontecerá em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, São Bernardo do Campo, Campinas, Sorocaba, Salvador, Fortaleza, Belém, Manaus, Boa Vista, Florianópolis, Brusque, Barreiras, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Londrina, São João Del Rei, Teresópolis, Petrópolis, Niterói e Aracaju.

As inscrições podem ser feitas no site www.cdo.org.br/coletadealimentos. Os voluntários devem informar a atividade, horário de disponibilidade e qual supermercado escolhido para o trabalho voluntário. O cadastro é fundamental para a organização das atividades.

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