Home / Jornal Impresso da ACIL / Ano 6 - Numero 88 - Outubro 2009 / Hora de participar
Ano 6 - Numero 88 - Outubro 2009

Natal do Amor
Hora de participar
Londrinense tem a oportunidade de fazer parte da construção do projeto que vai transformar a praça Tomi Nakagawa numa referência de beleza, espiritualidade e consciência ambiental. São dois gestos nobres: doar garrafas pet e atuar como voluntário
Londrina tem uma fábrica do Natal. E por lá, como nas fábulas, há alegria, sorrisos e produção acelerada. Tudo para dar conta dos objetos que vão trazer beleza à Cidade no fim do ano. Ao todo, 100 mil garrafas pet vão se transformar em flores, velas, bolas e até anjos na primeira edição do “Natal do Amor”, que tem o apoio de várias entidades e empresas londrinenses, entre elas a ACIL.
Coordenadora da campanha, Kimiko Yoshii está encantada com os resultados. “Adoro estar nesse projeto, principalmente porque as pessoas que estão conosco estão felizes e tendo uma ocupação”, destaca. Para trabalhar na avenida Maringá, 1.230, onde fica a produção dos enfeites, foram contratadas 12 pessoas e outra dezena de voluntários vai ao local para ajudar no trabalho. As primeiras peças montadas serão as flores, já em fase adianta de produção. Três máquinas foram adaptadas para ajudar no corte das garrafas.
Mas ainda há muito o que cortar, modelar e montar. Quanto mais braços e mãos estiverem envolvidos nesse processo, mais bela ficará a decoração natalina. “Convidamos voluntários de toda a Cidade para ajudar nessa produção. Queremos um Natal bem bonito com cada um doando um pouco do seu amor por Londrina”, almeja Kimiko.
E no que depender das pessoas que estão trabalhando, não vai faltar boa vontade. Maria Sueli de Lima Bonfim sorri e canta o tempo todo enquanto trabalha com as garrafas já arrecadas. “Se toda a cidade tivesse isso não, haveria depressão. Aqui é um pedacinho do céu”, fala com largo sorriso no rosto. Aos 55 anos, ela descobriu no artesanato uma alegria. “Me arrepia só de falar nesse projeto. A felicidade é tanta, aqui trabalhamos em família, é maravilhoso”, ressalta. Viúva, Maria Sueli mora com dois filhos e uma irmã que está com problemas de saúde. “Minha despesa está grande e isso aqui foi um dinheirinho que caiu do céu”, completa.
Ela e Eunice Rodrigues dos Santos, também contratada para o Natal do Amor, participam de um projeto da Construtora A. Yoshii chamado “Criando Arte”. E foi lá que deram os primeiros passos para descobrir os segredos do artesanato. Eunice estava trabalhando como diarista e agora atua no projeto criando flores para o Natal. Casada e com três filhos, terá uma renda extra no fim do ano. “Onde eu chego eu falo do projeto. Quando vou embora do trabalho passo lá na praça (onde será montada a decoração) e falo para as pessoas que elas não imaginam como o lugar vai ficar lindo”.
O sentimento de fazer parte da decoração é um dos pontos altos do projeto. O processo começa na arrecadação das garrafas pet e segue até a montagem final, envolvendo centenas de pessoas, entre crianças e adultos.
André Francisco tem 32 anos e também atua na fábrica. Ele faz um curso técnico de meio ambiente e por isso foi convidado a participar. Ele não estava trabalhando e o serviço veio em boa hora.
“De certa forma, esse trabalho ajuda no curso porque é uma coisa prática. Além disso, trabalhar nessa época do ano é interessante e gratificante”, declara. Ele é casado, tem dois filhos e vai usar os conhecimentos para deixar a casa bonita no Natal. “Já separei umas garrafas e vou montar umas velas para decorar a minha casa”, aponta. Um exemplo de que enfeitar a cidade pode estimular as pessoas a enfeitarem também suas casas, deixando Londrina iluminada e bonita.
Kelvyn Diego da Silva, 21 anos, também faz o curso de meio ambiente e está percebendo, com os olhos e com as mãos, a transformação do que seria jogado no lixo, em beleza. “Aqui estamos reaproveitando materiais que poderiam estar jogados no meio ambiente”, destaca.
Na coordenação dessa “linha de produção” está o arquiteto Márcio Koga, que é voluntário no projeto. Para ele, entre os desafios para deixar tudo pronto está o tempo, considerado pouco, e também as características do trabalho com garrafas de plástico, que precisa ser ajustado. “Não existe máquina para corte de pet e estamos adaptando. Toda nossa produção é artesanal”, explica.
Com tamanhos variados, as garrafas exigem que as peças sejam moldadas uma a uma. Koga detalha que nesse ano, especificamente, as garrafas estão sendo cortadas e moldadas com água quente para ganhar nova formas. No ano passado, a tinta foi quem deu o tom à decoração. “Assim podemos mostrar que é uma matéria muito versátil. Esse ano vamos explorar a transparência”, completa.
Mas para que a decoração ganhe corpo, será preciso arrecadar milhares de garrafas. Vice-presidente da ACIL, Nivaldo Benvenho salienta que, no momento, essa é a atividade mais importante. “Em segundo, são as oficinas de trabalho. Queremos que as pessoas busquem participar”, acrescenta.
Ele especifica que foi escolhido um ponto chave para a decoração natalina. “Vamos criar um ambiente concentrado na Praça Tomi Nakagawa e lá as pessoas poderão apreciar a decoração e assistir aos shows culturais que vão acontecer todas as noites”, adianta. Benvenho diz ainda que a praça foi escolhida por ser um local democrático e de fácil acesso para a população. “Todos poderão passear por lá”, convida.
O vice-presidente da ACIL espera que esse Natal seja um estímulo para a criatividade. “Vamos fazer uma decoração bem intensa e isso pode despertar no londrinense a vontade de decorar mais o seu ambiente.” Ele aponta que em Gramado, no Rio Grande do Sul, a decoração natalina começou tímida e hoje é referência no Brasil. “Assim como há 20 anos começou o Natal de Gramado, de forma focada, nós estamos começando um novo conceito de Natal em Londrina”, completa.
Quem quiser ajudar na montagem da decoração pode comparecer na sede da “Fábrica de Natal” na Avenida Maringá, 1230.




