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Ano 6 - Numero 88 - Outubro 2009

Segmentação
Novo mercado, novas empresas
Duas das maiores construtoras de Londrina criam novas “marcas” para ocupar o crescente espaço criado pela estabilidade econômica e pelo programa Minha Casa, Minha Vida, que viabilizaram para milhares de famílias a compra do primeiro imóvel
Focadas no crescente mercado representado pelas famílias que vão comprar o primeiro imóvel, duas das maiores construtoras da Cidade, a Plaenge e a AYoshii, criaram outras empresas: a Vanguard Home e a Yticon, respectivamente. Lançada em 2006, a primeira já representa 40% do faturamento do grupo e a segunda, que existe há apenas um mês, pretende ser responsável por 10% da produção conjunta até o final de 2010.
Antes mesmo do lançamento do programa Minha Casa, Minha Vida, pelo governo federal, no início deste ano, o cenário já se mostrava favorável aos investimentos em imóveis com valores menores. A estabilização da economia brasileira e a queda de juros era o sinal de que havia espaço para este mercado crescer. Foi o que constatou a Plaenge. Segundo o diretor Alexandre Fabian, representantes da empresa visitaram Espanha, Chile e México, em 2006, para ver como se comportava o setor de habitação naqueles países que também consolidavam processos de estabilidade econômica.
“Os três países tiveram reduções nas taxas de juros que aqueceram o mercado imobiliário. Também são nações com crescimento demográfico expressivo. As pessoas passaram a comprar o primeiro imóvel”, afirma Fabian. Não havia por que acreditar que no Brasil seria diferente. Logo após as visitas, foi criada a Vanguard Home, que constrói imóveis na faixa de R$ 85 mil a R$ 200 mil.
O diretor garante que a Plaenge foi a primeira no País a criar uma empresa específica para cuidar deste segmento. E o sucesso veio logo. Hoje, a construtora tem filiais em Curitiba, Campo Grande, Cuiabá e Joinville. “O que idealizamos aconteceu muito rápido”, constata.
O fundador do grupo, Ézaro Fabian, também comemora. “Esse projeto foi o mais importante do grupo nos últimos anos. Uma nova empresa, que nasceu em Londrina, com toda a experiência da Plaenge no mercado imobiliário, com equipes de gestão próprias e focadas no comprador do primeiro imóvel”, diz. Segundo ele, a Vanguard tem 55 torres em execução nos quatro Estados e foi classificada como a 3ª construtora do Sul, constando do rol das 20 maiores do País.
Filho forte - Na A.Yoshii, o entusiasmo com a Yticon não é menor. “É como um filho que nós estamos acompanhando seu crescimento. Nasceu muito forte e está crescendo rápido. Tem uma equipe entusiasmada de jovens com grande emprenho”, declara o fundador Atsushi Yoshii.
Segundo ele, a criação de uma nova empresa para atender à população de menor poder aquisitivo se justifica por se tratar de produtos muito diferentes, que exigem uma forma distinta de comercialização. “Mas mantendo os mesmos valores da Yoshii”, garante.
O fundador explica que a Yticon começa construindo apartamentos na faixa de R$ 100 mil a R$ 150 mil, mas que a tendência é erguer imóveis ainda mais baratos. “Queremos atingir todas as classes. A estabilidade econômica, os juros mais baixos e os incentivos do governo à habitação garantem esse processo”, justifica. De acordo com ele, em 45 anos de existência, o grupo já construiu mais de 1 milhão de metros quadrados.
Segundo o gerente da Yticon, Sadao Nagata, uma medida anunciada pelo governo federal dia 1º de outubro vai permitir que a empresa desde já possa atuar dentro das regras do Minha Casa, Minha vida. Até então, só era possível financiar imóveis, pelo programa, no valor máximo de R$ 80 mil em cidades com até 500 mil habitantes. Este teto foi aumentado para R$ 100 nos municípios com mais de 250 mil habitantes.
“Possivelmente, esses apartamentos de R$ 100 mil que estamos construindo sejam os mais caros da Yticon. Nossa intenção é fazer unidades mais em conta ainda”, explica. Antes do Minha Casa, Minha Vida, de acordo com Nagata, os juros para financiamento eram de 9,5% a 10,5% ao ano. Depois, caíram para a faixa de 4,5% a 8,6% ao ano para este segmento, dependendo da renda familiar.
O gerente lembra que, no programa federal, os compradores não se beneficiam apenas de juros menores, mas gozam de subsídios dados pelo governo. Ele calcula que, num imóvel de R$ 80 mil, a família cuja renda seja de até três salários mínimos será beneficiada com um subsídio de R$ 23 mil, enquanto na faixa de três a seis salários, terá uma colaboração de R$ 17 mil.
Segundo a Caixa Econômica, em virtude do Minha Casa, Minha Vida, a superintendência de Londrina havia financiado até agosto o mesmo volume que em todo o ano passado. A expectativa é fechar 2009 com 10 mil unidades do programa na região – o que deverá representar 40% do volume financiado no ano.



