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Ano 6 - Numero 87 - Setembro 2009

H1N1
Gripe A recua, mas ameaça está viva
Autoridades da área de saúde alertam para o relaxamento da população com as medidas de prevenção à doença. Estatísticas menores não reduzem o risco de vida para quem for contaminado
Passado o susto inicial e a mudança de hábitos que a aparição da nova gripe trouxe, aos pouco as pessoas começam a relaxar e esquecer medidas de prevenção que até o mês passado haviam sido incorporadas ao dia a dia. De acordo com a Secretária Municipal de Saúde, o pico da gripe A em Londrina aconteceu mais ou menos entre os dias 25 de julho e 5 de agosto. Depois ela se manteve e no início de setembro começou a cair. Até a procura pelo Pronto Atendimento Municipal (PAM), transformado em centro de referência de gripe, diminuiu. No início da pandemia cerca de 400 pessoas procuravam o PAM diariamente. Hoje o número não chega a 100.
Os números de casos confirmados da doença também estagnaram. Por exemplo, até o meio de setembro a Cidade contava com 243 casos de gripe A e três mortes. Números que variaram bem pouco em comparação com o final do mês de agosto.
Nos hospitais os números de internações de casos suspeitos também diminuíram, embora ainda continuem altos. Nos hospitais da Irmandade Santa Casa de Londrina, a Santa Casa, Mater Dei e o Infantil, por exemplo, o número de internações de casos suspeitos do vírus H1N1 até teve uma redução, mas não foi significativa. Segundo a assessoria do hospital, os casos suspeitos começaram a aparecer no dia 28 de julho com sete pessoas. Em oito de agosto o número subiu para 48 pacientes internados, mas em 21 do mesmo mês caiu para 35 e se manteve entre 30 e 25 pacientes até dois de setembro, quando voltou a subir. No dia 10 os hospitais do grupo registraram o pico, 61 pessoas internadas, mas depois o número voltou a cair e no dia 24 já eram 29 pessoas, sendo quatro na UTI.
Já no Hospital Universitário os casos suspeito começaram a aparecer em maio com três internações, mas nenhum deu positivo. Em junho não houve casos e em julho 20 pacientes ficaram internados no HU, sendo que sete foram confirmados. Em agosto o número subiu para 155 casos suspeitos com 40 confirmados e em setembro, até o dia 23, eram 51 pessoas que ficaram internadas e 13 confirmações.
No Hospital Evangélico a queda significativa nos casos suspeitos também foi registrada em setembro. Em julho a média era de 20 atendimentos por dia, e 40 internações. Mesmo número em agosto, mas em setembro, até o dia 24, a média havia caído para 10 atendimentos por dia.
Os dados mostram que mesmo com a diminuição da doença, os cuidados devem ser mantidos. O secretário municipal de saúde, Agajan der Bedrossian, lamenta o descuido da população e alerta que o vírus H1N1 continua a circular. “A doença perdeu a intensidade, mas não acabou. Os cuidados são os mesmos, até porque para quem pega a doença pouco significa que os números diminuíram, portanto as medidas de prevenção devem ser mantidas”, afirma Bedrossian. “Principalmente em relação a aglomerações desnecessárias que continuam a existir em ambientes de lazer, sociais, empresariais, educacionais e até em ambientes religiosos.”
Um pouco mais otimista, o secretário estadual de saúde, Gilberto Martin, acrescentou em Curitiba no dia 22 de setembro que agora, com o início das estações mais quentes e com as ações adotas pelas autoridades de saúde, a circulação do vírus H1N1 tende a diminuir, mas não vai desaparecer. “Estamos entrando em uma fase de estabilização da doença. A estrutura montada no Estado conseguiu atender a demanda, que era uma grande preocupação no início da pandemia. Conseguimos ainda ter uma estrutura de distribuição de medicamentos. A perspectiva agora é de uma redução importante na ocorrência de casos, mas não de desaparecimento da doença. O vírus da gripe, mesmo no verão, vai continuar a circular – mesmo com menor intensidade do que no inverno – e nós temos que continuar atentos”, ressalta Martin.
Integrante do Comitê Gestor da Gripe A em Londrina, o promotor dos Direitos à Saúde, Paulo Tavares, também critica o relaxamento dos cuidados. Ele alerta: “Com certeza teremos mais mortes. Mais de 14 óbitos suspeitos ainda aguardam confirmação se foram por causa da gripe A. Não queremos criar medo ou pânico, mas não podemos abaixar a guarda”.
Tavares reforça ainda a necessidade de se evitar aglomerações. “Sem dúvida se medidas como suspensões das aulas não tivessem sido adotadas nós não teríamos a mesma taxa de mortalidade que temos hoje.”
A preocupação também continua sendo com as gestantes. “Informações da Organização Mundial de Saúde apontam que há uma afinidade maior do vírus com as grávidas. Portanto a recomendação é ainda que as gestantes fiquem o máximo possível em casa, sem se exporem”, lembra Bedrossian.
Para ele, o estado de epidemia deve permanecer até o início de outubro. “Uma epidemia virótica desse tipo dura aproximadamente três meses. Embora não tenhamos a data precisa do começo da circulação do vírus, se levarmos em conta o mês de julho quando surgiram os primeiros casos, temos ainda que vencer o restante do mês de setembro e o início de outubro”, destaca.
Com a redução no número de casos, as autoridades começam a preparar a estrutura para o próximo inverno, a chamada segunda onda da doença. A expectativa é que até lá a vacina que está sendo desenvolvida já possa ser aplicada.
“Os próximos passos são observar o que acontecerá no hemisfério norte, para já nos prepararmos para o nosso inverno no ano que vem. Devemos nos articular também para que a partir da disponibilização de vacinas a região sul possa receber mais lotes, já que nos três Estados houve uma concentração efetiva dos casos e das mortes pela doença. Vamos trabalhar na manutenção das informações à população para que ninguém se desmobilize em relação aos cuidados”, antecipa o secretário estadual de saúde Gilberto Martin.
“A doença vai continuar a existir, só que não será mais epidêmica. Mas a gente avalia que em abril do ano que vem, no período que antecede o inverno, a gripe deverá voltar. A esperança é que até lá tenhamos a vacina específica para essa doença. Mais armas ou armas mais eficazes para combater a possível segunda onda”, conclui Agajan der Bedrossian.
