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Ano 6 - Numero 87 - Setembro 2009

Capacitação
Competências especiais
ACIL abre as portas para que portadores de necessidades especiais possam fazer treinamentos e melhorar assim a qualificação profissional
“Você faz a diferença”. O sugestivo nome do treinamento voltado para o Atendimento ao Cliente mostrou na prática a importância da integração. Realizado na ACIL nos dias 14 a 16 de setembro, o curso abriu espaço para portadores de necessidades especiais que puderam se inscrever gratuitamente. A interação entre profissionais de diferentes empresas e com cargos igualmente distintos trouxe riqueza.
Ana Maria tem 52 anos e há 14 trabalha na Agência do Trabalhador como auxiliar administrativa. Ela nasceu sem o braço esquerdo e com falhas nos dedos da mão direita. Hoje está feliz e integrada ao mercado de trabalho. Mas nem sempre foi assim. Ela lembra que já enfrentou muitos obstáculos para conquistar emprego e até para estudar. Prova disso é que começou a frequentar o colégio mais tarde e aos 27 anos, quando ainda estava no 1º grau, teve a primeira experiência profissional. “Acredito que entramos mais tarde na escola até pela insegurança que sentimos e pela dificuldade”, aponta.Insegurança que não faz parte mais do dia a dia dela. “Há muitos anos, quando comecei a procurar serviço, foi muito difícil. Ia quase todos os dias ao Sine e em outras empresas até que consegui”, recorda.
Com o 2º grau concluído, Ana Maria segue buscando aperfeiçoamento. Afinal, como ela própria diz, “sempre há o que aprender”. E para quem luta contra o preconceito há mais de cinco décadas, ela comemora: “A mentalidade hoje está mudando e muito disso é pelo trabalho desenvolvido por entidades”.
O fato de já ter nascido com a necessidade especial facilitou a adaptação de Ana Maria. Ela pondera que se hoje precisasse começar do zero sem um braço teria dificuldades. Será? Em outro momento ela mesma se contradiz, no bom sentido: “Sou uma pessoa persistente e não desisto nunca”.
Quem também batalha por capacitação é Leonardo Carvalho, portador de déficit cognitivo leve. Atualmente ele é office-boy na empresa HP Assessoria Contábil e por isso diz que o treinamento terá grande valor. “Ajuda na capacitação profissional. Eu lido muito com o cliente”, descreve. Aos 24 anos, Leonardo fala que tem uma rotina “tranquila” na empresa e que quer sempre buscar o aperfeiçoamento. “Tudo o que eu puder aprender de atendimento mais adequado com o cliente para o escritório eu quero aprender.”
A vontade é tanta que Leonardo se inscreveu para fazer o curso de telemarketing, também pela ACIL, agendado para o fim de setembro. Outro treinamento que terá vagas gratuitas para quem tem necessidades especiais. O office-boy aprova essa iniciativa. “Ajuda a dar oportunidade de emprego para as pessoas”, explica.
E não é a primeira vez que a ACIL abre as portas para capacitar a todos. O treinamento de Atendimento ao Cliente foi realizado pela psicóloga organizacional Suely Garcia. Ela lembra que esse é o quinto curso que ministra na ACIL com vagas para os portadores de alguma deficiência. “Eu vibro com eles porque há uma riqueza interior muito grande e eles participam e colaboram muito”, destaca. Ela descreve que em alguns momentos a dificuldade de um é compensada pelo colega, e viceversa. Uma ação conjunta que traz resultados satisfatórios.
Na prática, a capacitação também auxilia na inserção no mercado de trabalho. Muitos dos que fizeram o treinamento de Marketing Pessoal no ano passado foram incluídos no quadro de funcionários de empresas londrinenses. Mas Suely pondera que isso ainda é uma batalha. “Trabalho com RH e vejo que há dificuldade das empresas contratarem.” Ela diz que ainda falta capacitação e também, em alguns momentos, vontade de buscar conhecimento. “Aqui oferecemos esses cursos, mas percebo que nem todos se interessam.”
Mas a falta de ânimo de uns é compensada pela garra de tantos outros, como a de Aldemir Souza, de 37 anos. Ele diz que já trabalhou com várias coisas, como confeitaria, mecânica e funilaria e que não falta trabalho. “Eu ajo com meus sentimentos e vivo a minha vida”, ensina.