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Ano 5 - Numero 85 - Julho 2009

Jornal da ACIL
Os núcleos industriais

Rubens Visnadi afirma que o Cilo VI é bom, mas precisa de planejamento e gerenciamento planejamento e gerenciamento

  • Rubens Visnadi afirma que o Cilo VI é bom, mas precisa de planejamento e gerenciamento
planejamento e gerenciamento
  • Roberto Alcântara, em frente à Ângelus, pioneira no Parque Tecnológico: localização boa e status de estar em uma área como foco em tecnologia
  • Laércio Ferreira, dono de uma gráfica no Cilo IV: “Quando  chegamos a situação era precária, com estas obras melhorou bastante”
  • Ary Sudan: ”Queremos que o Parque das Indústrias Leves se transforme em modelo para que os outros parques industriais também promovam as mudanças necessárias”
  • Fernanda Giacomini: falta de meio-fio dificulta manobra de caminhões
Produção

Os núcleos industriais

Londrina tem oito estruturas destinadas a abrigar indústrias; 300 das 3 mil unidades estão instaladas nos chamados parques industriais. Empresários elogiam, mas reclamam da infraestrutura

Érika Pelegrino
Especial para a ACIL

“Se não fosse este terreno nós teríamos ido para Rolândia.” Rubens Visnardi Júnior, proprietário de uma empresa de médio porte, é um dos empresários instalados em Londrina. A Cidade possui, de acordo com a secretaria de Fazenda, mais de 3.000 indústrias. Pouco mais de 300 estão em sete parques industriais e na Cidade Industrial Prefeito Milton Menezes, a exemplo de Visnardi.

Benefícios para aquisição de terreno com facilidades de pagamento ou até doação da área e um local específico para funcionamento são as principais vantagens apontadas pelos empresários, que também questionam os problemas de falta de infraestrutura e de gerenciamento dos parques.

Instalado no Parque Industrial Germano Balan (Cilo VI), na Zona Norte, Visnardi afirma que o local é adequado, mas enfrentou dificuldades. “Tivemos que adiar em quatro meses a instalação da nossa empresa por que o parque não tinha licenciamento ambiental emitido pelo IAP”, afirma. “O que sentimos é que falta planejamento do poder público na criação dos parques industriais.”

O proprietário de uma empresa de médio porte, a Naninha Indústria e Comércio de Produtos Agropecuários, instalada no Parque Industrial José Belinati (Cilo IV), na Zona Norte, José Dias também se ressente da falta de um gerenciamento. “Não há uma gestão comum do parque. É cada empresa por si. Isto dificulta muito a permanência das empresas, estou aqui desde 1992 e muitas já fecharem.”

O presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e Material Elétrico de Londrina, Valter Orsi, e o delegado regional da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Ary Sudan, afirmam que os parques industriais de Londrina se limitam a áreas onde é permitido o funcionamento de indústrias. ”Um parque industrial se caracteriza por uma série de fatores que buscam facilitar a vida das indústrias e o seu desenvolvimento. O que não acontece em Londrina e no resto do País”, afirma Sudan.

Orsi também aponta a falta de planejamento na criação dos parques. Segundo ele, cada uma destas áreas deveria ser dividida de acordo com porte das indústrias, atividade desenvolvida, risco ambiental. “Os parques deveriam funcionar como condomínios homogêneos com um conselho administrativo. Quanto mais homogêneo mais fácil para resolver os problemas, que passam a ser comuns, e planejar o desenvolvimento”.

Cada parque industrial de Londrina possui empresas dos mais diversos ramos de atividades. Segundo o economista do Instituto de Desenvolvimento de Londrina, Rubens Bento, há 40 anos no órgão, apenas o Parque Industrial Horácio Sabino Coimbra (Cilo III) tem uma concentração maior de indústrias do mesmo setor. “Ficou determinado que aquela seria a região das indústrias de combustíveis. É lá que estão o Pool de Combustíveis e várias empresas de gás.”

A divisão por tamanho, a princípio, foi realizada. As de maior porte ficariam concentradas no Cilo II. “Lá estão empresas como a Fast Frio, com 100 mil metros, a Pura Mania, com 22 mil metros, tinha a Eliane, com 15 mil metros. Os menores lotes eram de três mil metros”, afirma Bento.

Nos demais parques industriais os lotes têm em média mil metros e seriam destinados a atender empresas pequenas e médias. ”Só que em alguns casos foi permitido que uma empresa ficasse com mais de um lote”, afirma. O resultado é empresas de grande porte entre as pequenas e médias.

Cidade Industrial - Bento admite a precariedade dos parques industriais e a necessidade de revitalização. Segundo ele, para se caracterizar como tal, estas áreas precisam ter toda infraestrutura básica (asfalto, calçada, meio-fio, ruas mais reforçadas e com largura de 20 metros para manobras de caminhões, água, energia, telefone); além de acesso fácil através de interligação com estradas, ramal ferroviário, áreas de lazer, central de gás e outros.

Criada através da Lei 7022 de 28 de maio de 1997, a Cidade Industrial Prefeito Milton Menezes, localizada em parte da Zona Norte e da Leste, foi uma tentativa do poder público de construir um parque industrial com toda esta logística. São 400 alqueires onde estão instaladas a Atlas- Shindler, a Dixie Toga, a Milênia, que já estava no local e foi englobada pela Cidade Industrial.

A Cidade Industrial abrigará ainda mais 10 empresas que deverão se instalar nos lotes 70 e 70-A após ser resolvido impasse para obtenção de licença ambiental junto ao IAP. Segundo o economista do Idel, o município também já desapropriou 11 alqueires para instalação da fábrica Moinhos Globo. No entanto, mais de uma década depois de idealizado o projeto, praticamente nada do previsto foi realizado.

“O município não tem recursos e vai desapropriando as áreas e fazendo a infraestrutura conforme a procura das empresas”, explica Bento. “O correto seria desapropriar tudo, fazer toda a infraestrutura para quando as indústrias procurassem a Cidade já estivesse tudo pronto.”

O único parque que foi planejado desta forma é o Kiugo Takata (Cilo V), na PR 445, Zona Sul. Todos os lotes foram desapropriados e vendidos com 50 % de desconto, já com a infraestrutura pronta. Ou parte dela. Fernanda Giacomini, sóciaproprietária da indústria Renascer Móveis Hospitalares, afirma que enfrenta problemas com falta de meio fio. “Dificulta a manobra de caminhões”, afirma.

Modelo - Parque industrial mais antigo, construído em 1969 e 1970, durante a gestão de Dalton Paranaguá, o Parque das Indústrias Leves é um dos mais precários. Ruas esburacadas, falta de calçadas, uma rua sem asfaltamento, falta de iluminação em alguns pontos, matagal em vários lugares, terrenos ociosos, fábricas abandonadas.

Segundo o delegado da Fiep e proprietário de empresa instalada há 25 anos no local, Ary Sudan, naquele parque há uma média de 20 empresas fechadas por causa da precariedade. Os próprios empresários estão tomando a iniciativa de remodelar o lugar. A idéia é contratar um profissional para projetar um espaço que corresponda aos padrões de parque industrial. “Pelo menos 80 empresários estão envolvidos nesta ação”, afirma Sudan.

O empresário explica que será incluída no projeto toda a reestruturação do lugar. “Iluminação, segurança, boas condições das ruas, transporte coletivo, espaços para bicicletas, estacionamentos adequados, coordenação do trânsito, jardins no lugar do matagal, placas nas ruas”, afirma. “Vamos buscar parceria com o poder público, mas será um projeto dos empresários. Queremos que o Parque das Indústrias Leves se transforme em modelo para que os outros parques industriais também promovam as mudanças necessárias.”

Cilo I - Criado com o objetivo de destinar uma área específica para as indústrias que estavam espalhadas pela Cidade. Está localizado na saída para Ibiporã, às margens da BR- 369, em uma área de 444.012 metros quadrados, e possui aproximadamente 82 empresas em funcionamento.

O local é considerado ótimo quanto à facilidade de acesso e concentração de várias indústrias. Os pontos negativos são infraestrutura, especialmente na rua Dalva de Oliveira, que não tem asfalto e onde estão empresas como a Arte Nova Indústria e Comércio de Móveis e Decorações e o Laboatórios Vencofarma do Brasil, e o fato de existirem residência no local. “Não consigo ver o Indústrias Leves como um parque industrial, porque está misturado com bairro residencial”, afirma o empresário Ademar Marques Castilho, proprietário de uma empresa de juntas desde 1991.

Cilo II - Criado em 1975, o Cilo II não possui uma denominação específica e é o que concentra o maior número de grandes empresas. Ele está localizado na Zona Oeste, próximo aos bairros Jardim Maria Lúcia e Jardim São Francisco, em uma área de 442.394, 82 metros quadrados. O parque abriga, aproximadamente, 14 indústrias de diversos ramos: plásticos, equipamentos para refrigeração, de ferro e aço, entre outros.

Os lotes menores têm três mil metros, enquanto nos outros parques a metragem é de mil metros, em média. Lá estão empresas como a Fast Frio Equipamentos Ltda., em área de 100 mil metros. Valdecir Guerra, diretor comercial desta empresa aprova o local. “É um parque industrial muito bom. Fica bem próximo da cidade, é de fácil acesso por estar próximo de rodovia, facilitando o escoamento, possui boa infraestrutura”, afirma.

Na sua avaliação os pontos que necessitam de melhorias dizem respeito à locomoção das pessoas. “É preciso ampliar os horários de ônibus no local e construir o viaduto em frente à PUC. A travessia das pessoas na rodovia é muito perigosa”, afirma.

Cilos III e IV - Criado em 1975 em uma área de 641.578,89 metros quadrados, na Região Oeste, divisa com Cambé. No local estão instaladas 56 empresas, aproximadamente. O predomínio é de indústrias do setor de combustíveis. É lá que está o Pool de Combustível, mas também empresas já instaladas antes da criação do parque, como a Cia. Café Solúvel.

Criado entre 1979 e 1980, este parque industrial está localizado na Zona Norte, às margens da Rodovia Carlos João Strass, em uma área de 149.288,12 metros quadrados. Ali estão instaladas 43 empresas, a maioria de porte pequeno e médio, dos mais variados ramos: recuperação de veículos, baterias, produtos hospitalares, produtos agropecuários, gráficas, e outros.

O parque é considerado bom especialmente a partir da duplicação da Rodovia Carlos Strass e da construção da rotatória no Jardim Paraíso. “Quando chegamos a situação era precária, com estas obras melhorou bastante”, afirma Laércio Ferreira, proprietário de uma gráfica de pequeno porte.

Para Idevaldo Betteto, do ramo de recauchutagem de pneus a localização é uma das grandes vantagens do parque. “Estamos em um local privilegiado, próximo de tudo. Estamos a mil metros do Banco do Brasil. Com a duplicação da Carlos Strass melhorou muito este parque e acreditamos que vai melhorar ainda mais”.

Kiugo Takata - Criado no início da década de 1990, está localizado na PR 445, Km 69, saída para Curitiba, Zona Sul, em uma área de 203.992,04 metros quadrados. Lá estão instaladas 73 empresas dos ramosde revestimentos, móveis hospitalares, alimentos, madeira e outros.

Daniel Castanho, sócio proprietário de uma indústria de pequeno porte no ramo de revestimento, ressalta que o parque atende as expectativas. Entre os pontos positivos ele cita a proximidade com a rodovia e os terrenos. “São bons terrenos para empresa de pequeno porte”, afirma. Entre os pontos que exigem melhoria no parque, ele cita a largura das ruas. “São estreitas para manobras de caminhões”, afirma.

Cilo VI - Consolidado em 2007, o parque industrial está localizado abaixo do Parque Industrial José Belinati, próximo ao Lago Norte, em uma área de 85.483 metros quadrados. Lá estão instaladas 21 indústrias de setores como móveis, marmoraria, confecção, fundição, plástico, entre outros.

Rubens Visnadi Junior, proprietário de uma indústria de médio porte do setor de equipamentos para indústrias de plástico, a MaqPlast, afirma que o parque é bom, mas é preciso um planejamento melhor do lugar, com gerenciamento do parque e melhorias na infraestrutura. “Falta principalmente asfalto, que foi prometido quando viemos para cá e até agora não foi feito.”

Francisco Sciarra - Criado em 2000, está localizado na Zona Oeste na divisa com Ibiporã em uma área de 109.560,50 metros quadrados e é conhecido como Parque Tecnonóligo. Lá estão instaladas seis empresas, duas já operando: IPEM e Angelus Indústria de Produtos Odontológicos. O parque ainda está em formação e segundo o presidente da Ângelus, Roberto Alcântara esta foi a primeira empresa a se instalar no parque que traz como “benefício indireto a localização boa e o status de estar em uma área com foco em tecnologia”.

Segundo ele, a presença de um maior número de empresas que facilitará a interação para ações conjuntas e a presença maior dos órgãos públicos na atração de um centro que possa servir de base para as empresas que têm projeto de instalação no parque.

O Complexo Metrológico do Instituto de Pesos e Medidas do Paraná (Ipem) já está em operação no Parque Tecnológico. Com uma área construída de 1.800 metros quadrados e investimentos de aproximadamente R$ 4,5 milhões, o novo prédio abriga um complexo metrológico que possui cinco laboratórios: dois na área têxtil, um de prémedidos e outros dois para universitários da UFPR (Universidade Federal do Paraná) e UEL (Universidade Estadual de Londrina).

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