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Ano 5 - Numero 83 - Maio 2009

Jornal da ACIL
Transporte coletivo, uma nova abordagem

Ônibus disputam espaço com carros na rua Benjamin Constant, em horário de pico: readequação de horários pode melhorar o fluxo e até resultar na redução da tarifa

  • Ônibus disputam espaço com carros na rua Benjamin Constant, em horário de pico: readequação de horários pode melhorar o fluxo e até resultar na redução da tarifa
  • Wilson dos Santos, da CMTU, explica composição da planilha aos representantes de entidades: “Não existe caixa-preta alguma”
Serviço Essencial

Transporte coletivo, uma nova abordagem

Entidades propõem a adoção de um formato diferenciado para o debate sobre o transporte urbano de Londrina, baseado mais em critérios técnicos e menos na emoção e no ambiente político. O objetivo é evitar que Londrina corra o risco de um colapso

Érika Pelegrino
Especial para a ACIL

Um debate mais técnico, melhor embasado, sem a carga emocional historicamente predominante. Um grupo de entidades locais quer que as discussões acerca do transporte coletivo de Londrina sejam feitas dentro de um novo modelo, baseado em informações corretas sobre o sistema e em uma agenda positiva, na qual melhorias no transporte coletivo urbano sejam estudadas dentro de parâmetros bem fundamentados. Essa é a sugestão que vem sendo desenhada pelas entidades desde um encontro realizado na ACIL com representantes da CMTU, Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Londrina (Metrolon), no dia 21 deste mês.

O reajuste da tarifa de ônibus de Londrina está em discussão, novamente. O prefeito eleito Barbosa Neto já anunciou que pretende aumentar o preço, fixado em R$ 2,00 desde janeiro de 2006 e a Câmara de Vereadores instalou, em fevereiro, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) que teve seu prazo prorrogado por mais 60 dias, a partir de 19 de maio. O seu objetivo é investigar a composição da planilha que define o preço da passagem do transporte coletivo.

Diante da polêmica, a ACIL e as entidades querem entrar na discussão municiadas de informações técnicas sobre a composição da planilha e estudar uma agenda positiva para otimizar o sistema de transporte coletivo. “Como entidade representativa, nós não podemos ficar de fora de uma discussão como a do transporte coletivo, que é fundamental para o desempenho das empresas e da Cidade como um todo”, afirma o presidente da ACIL, Marcelo Cassa. “Mas precisamos levar a discussão do reajuste ou não da tarifa para o âmbito técnico. Para sair da discussão política precisamos compreender como é a formação da planilha.”

Na reunião foram explicados quais são os itens de maior impacto no valor da tarifa e o modelo de elaboração da planilha, o Geipot, adotado por Londrina, entre outros. O engenheiro Antônio Carlos Marchezetti, diretor de operações da Logitrans, que representou o Metrolon, explicou as fórmulas que compõem a planilha. “A tarifa de transporte coletivo é composta de insumos específicos para o setor de transportes que produzem um custo quilométrico do sistema”.

No modelo Geipot, o cálculo é feito com base no levantamento de três elementos: número de passageiros transportados, quilometragem percorrida, custo do quilômetro. O valor do custo do quilômetro é dividido pelo índice de passageiros por quilômetros (IPK). Marchezetti explicou que o custo total do serviço por quilômetro é calculado somando custos variáveis (combustíveis, lubrificantes, rodagem e peças e acessórios), custos fixos (remuneração de capital, depreciação, despesas com pessoal, despesas administrativas) e tributos (ISS, PIS, Cofins, Taxa de Gerenciamento).

Já o cálculo do IPK é obtido dividindo a média mensal de passageiros pela média mensal de quilômetros rodados. Tem-se então a fórmula da tarifa do transporte coletivo: custo do quilômetro dividido pelo IPK. “Dizem que a planilha é muito complicada, que não tem como entender, mas estamos mostrando cada detalhe de como se chega a ela. É muito simples, não tem segredo”, afirmou Wilson dos Santos Jesus, analista técnico da CMTU.

Segundo ele, nestes cálculos os maiores impactos no valor final da tarifa são: custo de pessoal (46¨%); combustível (19%); custo de capital (13%) e tributos (9,60%). “Pneus, lubrificantes, peças e acessórios vão mudar apenas frações de centavos no valor da tarifa”, garantiu. Marchezetti afirmou que o foco da discussão para reduzir o valor da tarifa deve ser centrado nestes itens. “É preciso encontrar outras soluções para estes componentes se quisermos reduzir a tarifa”, afirmou.

Para isto, a ACIL, junto com as entidades que se interessarem, quer participar deste trabalho, segundo Cassa. A idéia foi aceita pelo presidente da CMTU, Lindomar Mota dos Santos, presente na reunião. O presidente do Metrolon, Paulo Bongiovani, também deu seu apoio. “Achamos fantástico discutir com a sociedade, queremos deixar claro que a planilha não é uma caixa preta e que nós queremos uma tarifa justa. É importante que saibam que não são as empresas que fazem a planilha”, afirmou.

A partir da reunião, a ACIL decidiu apresentar uma carta de apoio aos trabalhos da CMTU. “Tomamos esta decisão porque, depois de entendermos tecnicamente como funciona a planilha, vimos que se não nos envolvermos com este trabalho não vamos encontrar meios de otimizar a tarifa, o que pode representar sua redução”, explica Cassa. A carta ressalta a importância dos trabalhos da CEI instaurada pela Câmara para apurar a formação da tarifa de ônibus urbano. “A Câmara está atuando no sentido de garantir a transparência do sistema e isso é muito importante para o aprimoramento dos debates.”

O objetivo das entidades é definir uma agenda positiva com ações para aprimorar o sistema de transporte coletivo. “Este será o segundo passo. É preciso entender que a tarifa passa por questões sociais. Será que queremos uma redução de preço a qualquer custo”, questiona. Cassa refere-se aos custos com pessoal, que representam 46% do valor da tarifa. “Foi mostrado que se diminuir o número de cobradores, diminui o preço da tarifa, Mas não queremos desemprego.”

Comissão quer novo modelo de planilha

Um dos pontos questionados pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Vereadores é o modelo Geipot de planilha adotado por Londrina. De acordo com o presidente da CEI, vereador Joel Garcia (PDT), este é um modelo ultrapassado. “É um modelo que trabalha com parâmetros de consumo e durabilidade de insumos de 1993. Tivemos muitos avanços tecnológicos neste período. Um pneu que rodava 30 mil quilômetros, hoje roda de 150 mil a 180 mil”, afirma. “Por que continuar utilizando o Geipot? Precisamos atualizar estes parâmetros. O objetivo final da CEI é chegar a um outro modelo de planilha.”

O analista técnico da CMTU, Wilson dos Santos Jesus, afirma que o modelo pode ser mudado, desde que seja compatível com o contrato firmado com a empresa através do processo de licitação. “O Geipot é uma sugestão de levantamento de custos do transporte coletivo apresentada pelo Ministério do Transporte. Londrina adota este modelo que as empresas aceitam no processo de licitação. Quando elas compraram o contrato era este o modelo de reajuste de tarifa apresentado. Para mudar o modelo, tem que ser por outro compatível”, afirma Jesus.

O diretor de operações da Logitrans, Antônio Carlos Marchezetti, afirma que o modelo de planilha Geipot é adotado em 96% das cidades brasileiras que mantêm transporte urbano e que itens como o fator de utilização (quantidade de motoristas e cobradores para colocar a frota em operação) já são adaptados para a realidade local.

Garcia questiona ainda o fato de a CMTU fazer o levantamento de preços dos insumos no mercado local. “Por que não fazer no registro de preços da Prefeitura e do governo do Estado, que é mais barato”, questiona. Segundo Jesus, o levantamento no mercado local é determinação do Geipot. “Mas também fazemos no mercado porque, além de preços mais baixos, procuramos qualidade dos produtos”, afirma.

Garcia argumenta que a CEI vai investigar o número de passageiros apontados pela planilha, cerca de 4 milhões/mês. “Conversamos com o reitor da UEL [Wilmar Marçal] e a universidade vai fazer a contagem de passageiros”, antecipa. “Ainda vamos ouvir mais dois ou três depoimentos e o resultado final da CEI será encaminhado também ao o Ministério Público.”

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