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Ano 5 - Numero 82 - Abril 2009

Jornal da ACIL
“Exposição passa e bem pelo teste da crise”

Alexandre Lopes Kireeff: “Esta, definitivamente, não foi a Feira da crise, como se temia”

  • Alexandre Lopes Kireeff: “Esta, definitivamente, não foi a Feira da crise, como se temia”
  • Júlio César Vicente: “A crise não é de interesse, é de crédito porque o pouco que tem exige muitas garantias do agricultor como aval, terras e alienação de bens e isso assusta”
  • Osni Moreira avaliou que os efeitos da crise apenas fizeram com que as vendas fossem iguais às do ano passado
  • Edson Mukai: “Ficam os contatos, que foram muitos e a expectativa de fechamento de negócios pós feira”.
  • Mercedes Pires Buzo: “Acho que o calor atrapalhou mais do que a crise para meu segmento, mas estamos de volta no ano que vem”
  • Armando Montalvo Canahuire: “Acho que o valor do ingresso mais baixo ajudou nas vendas aqui, porque o pai vem com a mãe e os filhos e sempre acaba gastando nos estandes populares”
  • Márcio Xavier apresentava um espeto portátil elétrico apenas para divulgação, mas vendeu 200 peças
  • Implemento Agrícola
  • Exposição de Gado
  • Exposição - Criança no trator
  • Exposição apresentação
  • Exposição de ovinos
Agronegócio

“Exposição passa e bem pelo teste da crise”

A situação da economia mundial que preocupava não prejudicou a Feira deste ano. Quem não vendeu mais, também não vendeu menos

Katia Baggio
Especial para a ACIL

A expectativa da Sociedade Rural do Paraná (SRP) de registrar um crescimento de 4% na Exposição Agropecuária de Londrina, em relação à edição do ano passado, se confirmou.

A movimentação global da 49ª. Expolondrina foi R$ 186.827.700, crescimento de 1,99% em relação à exposição de 2008.

Os 34 leilões negociaram R$ 18.453, 15,38% a menos que o total do ano passado, mesmo assim, entre compra e venda e reafirmam o segmento como o que lidera a comercialização na Feira. O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Lopes Kireeff destaca que houve uma mudança bastante significativa no conceito dos leilões. “Os organizadores optaram por leilões mais comerciais. Este ano não tivemos animais com valores na faixa de R$ 1,5 milhão, como aconteceu ano passado”. Foram 12 mil animais, 34 leilões e mais de 46 raças de bovinos, eqüinos, ovinos, caprinos e até cães.

De acordo com Kireeff, os leilões que sofisticaram a oferta de genética avançaram em faturamento e preço médio por animal. Os demais venderam bem, mas não houve recorde de preços”, disse. “Em nossa avaliação, o mercado comportou-se muito bem sinalizando positivamente para as próximas exposições brasileiras”.

Os setores de comércio, indústria e lazer também atingiram níveis satisfatórios, informou o presidente da SRP, Alexandre Kireeff. “Esta, definitivamente, não foi a Feira da crise, como se temia”.

Ele também registra o público satisfatório que visitou a Expo. Foram 457.739 pessoas, um aumento de 5,25% em relação ao ano passado.

“Os shows lotaram o Recinto João Milanez em praticamente todas as noites, o que pode sugerir que, de alguma forma, o poder de compra da população não está tão limitado em razão da crise mundial”.

A Exposição também foi o evento escolhido pela Cooperativa Integrada para assinar um protocolo de intenções junto como o governo do Paraná, para a construção de uma fábrica de suco de laranja na cidade de Uraí. O investimento é de R$ 35 milhões, com doação do terreno pela prefeitura de Uraí e apoio do governo do Estado. Kireeff destacou que a Integrada é “a maior empresa de Londrina em faturamento” e a participação na Exposição tem sido cada vez maior.

Outro recorde foram as visitas monitoradas à Feira. “Foram mais de 30 mil visitantes entre escolas da rede pública, portadores de necessidades especiais e idosos e assim atingimos nossa meta de ampliar o caráter educativo e informativo da Exposição”, diz Kireeff. Ele se baseia na feira de Houston, nos EUA, que é direcionada neste sentido “e atinge de forma muito importante o público, agilizando a compreensão dos processos produtivos”.

O projeto Feira de Sabores, de divulgação e estímulo à agroindústria familiar, promovido pelo governo do Estado, levou 70 expositores ao Pavilhão Internacional. Segundo o coordenador do projeto, Abdel Naser, representantes de empresas de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e da região fizeram contato com os pequenos agricultores e as expectativas são otimistas. O resultado positivo gerou um movimento de cerca de R$ 1.400.000, sendo R$ 400.000 em vendas diretas e R$ 1.000.000 em fechamento de negócios para entregas posteriores. O fabricante de cracóvia, Cláudio Antonio, de Prudentópolis, fechou com uma rede de supermercados o fornecimento de 600 kg. deste tipo diferente de salame. “Só a presença na Feira é que permite que a gente tenha contato direto com as empresas”, relata Antonio, que produz o salame como derivado de suínos e aves, que cria. Até os produtos para exposição esgotaram no último dia de Expo.

VEÍCULOS

As revendas de veículos de passeio e utilitários comemoram os resultados na Exposição. O gerente Osni Moreira, de uma loja da Chevrolet, avaliou que os efeitos da crise apenas fizeram com que as vendas fossem iguais às do ano passado. “Foram 100 unidades vendidas aqui e a expectativa é de pelo menos mais 40 vendas no pós feira”. O preço dos veículos era de R$ 30 mil a R$ 100 mil e nem a redução de IPI, determinada pelo governo federal, foi considerada motivo de vendas. “Um automóvel de R$ 30 mil fica apenas R$ 1,5 mil mais barato, em média, o que dificilmente muda a decisão do comprador”.

MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS

No setor de máquinas pesadas para a agricultura o otimismo deu lugar à apreensão. Júlio César Vicente, revendedor da Massey Ferguson, disse que as vendas ficaram abaixo do esperado. “A crise não é de interesse, é de crédito porque o pouco que tem exige muitas garantias do agricultor como aval, terras e alienação de bens e isso assusta”. Como os valores são mais elevados, entre R$ 100 mil e 170 mil, 90% das vendas são financiadas. “Mesmo assim a presença da marca na Feira é fundamental e estamos de volta em 2010”.

Segundo a assessoria de imprensa da Feira, o setor comercial teve um crescimento efetivo de 10% na ocupação de área. No segmento “máquinas agrícolas”, a diretoria da SRP destaca um crescimento de 75% no número de expositores, o que possibilitou a manutenção do volume de vendas no setor, em relação ao ano passado – cerca de R$ 25 milhões.

Uma revenda de equipamentos e acessórios agrícolas também contabilizava o mesmo volume de vendas de 2008, 20 peças. O revendedor Edson Mukai diz que a seca comprometeu o poder de compra dos produtores do noroeste e sudeste do Paraná e afirmou o crédito escasso e exigente. “Ficam os contatos, que foram muitos e a expectativa de fechamento de negócios pós feira”.

Uma revenda de caminhões expôs um modelo de R$ 295 mil fora a carreta e os pneus e o responsável pelo estande comemorava os negócios e os contatos para pós feira.

Para agricultores familiares o apoio de financiamentos como Pronaf e Proger, específicos para o segmento, eram atrativo para a aquisição de microtratores, com acessórios para a cafeicultura como pulverizadores. “A mecanização das lavouras de café é uma realidade por conta da falta de mão de obra, por isso os contatos estão muito bons”, relatou o representante comercial Rubens Franzon.

VESTUÁRIO E ACESSÓRIOS

No Pavilhão Nacional se concentram sempre os estandes de roupas, acessórios e outras miudezas que atraem o público em geral. No setor as vendas também foram boas. Kireeff argumenta que a região de Londrina “não é tão dependente da indústria, estamos mais ligados ao comércio e à agricultura e esse fato talvez minimize os efeitos da crise mundial”. Ele informou que “mais de 100% da Feira foi vendida ainda em 2008 e foi preciso criar novos pontos para estandes e quem veio já queria fechar o mesmo espaço para 2010”.

Dona de uma marca de roupas em couro de Apucarana, a empresária Mercedes Pires Buzo, expõe no local há 13 anos e calculava fechar o mesmo volume de vendas do ano passado. “Acho que o calor atrapalhou mais do que a crise para meu segmento, mas estamos de volta no ano que vem”. O peruano Armando Montalvo Canahuire, que vendia bijouterias, chapéus, imãs para geladeira e outros artigos, disse que o movimento melhorou em comparação com a Feira de 2008. “Acho que o valor do ingresso mais baixo ajudou nas vendas aqui, porque o pai vem com a mãe e os filhos e sempre acaba gastando nos estandes populares”.

Quem levou novidades também não se arrependeu. Márcio Xavier, de Joinville/SC, apresentava um espeto portátil elétrico apenas para divulgação “mas vendemos 200 peças e isso ajuda nossos representantes na cidade”.

Em 2010, a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina completa 50 anos. A diretoria da Sociedade Rural do Paraná informa que o departamento comercial já está reservando as áreas para a ExpoLondrina 2010 – O Jubileu de Ouro da ExpoLondrina. Os atuais expositores terão prioridade nas reservas, mas também são esperados novos interessados.

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