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Ano 5 - Numero 82 - Abril 2009

Jornal da ACIL
A equipe que comandará Londrina

Barbosa Neto: “Ninguém na nossa administração vai ter qualquer tipo de compromisso com maracutaia, ilicitude, desvios de comportamento, de conduta. Esse é o meu compromisso com o Ministério Público e a sociedade civil organizada de nossa cidade”

Política

A equipe que comandará Londrina

Prefeito eleito Barbosa Neto diz que se pautou pelo critério da competência para escolha do secretariado e que procurou atender indicações de aliados e da sociedade civil

Zilma Santos
Especial para a ACIL

Representatividade. Essa é a palavra que define a preocupação do prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT) na escolha dos nomes do primeiro escalão que irão ajudá-lo de forma direta a administrar a cidade pelos próximos quatro anos.

A formação do secretariado levou em conta, segundo o prefeito, critérios técnicos e políticos. “Queremos excelência”, disse. Mas a maior preocupação foi criar uma equipe multifacetada mesclando escolhas pessoais com indicações de grupos políticos e da sociedade civil organizada.

Nesta entrevista, Barbosa Neto falou do perfil do secretariado e outras questões urgentes da cidade como tarifa do transporte coletivo, informalidade, horário do comércio e segurança pública.

Jornal da ACIL – Quais os critérios para definir os secretários?
Barbosa Neto – Primeiro a competência, seriedade, reconhecimento nas suas áreas e áreas afins. Eu procurei ouvir a maior parte das pessoas da comunidade, da sociedade civil organizada, o nosso grupo político, mas é também uma decisão pessoal e eu assumo os erros eventuais que possam acontecer. Mas tenho dito sempre que não tenho compromissos com erros. Eu coloco todos à disposição da sociedade para trabalhar para que eles realmente apresentem resultados. Montamos um grupo de excelência efetivamente. Pessoas capacitadas, gabaritadas, reconhecidas em suas áreas e creio que isso que irá nortear nossa administração.

Jornal da ACIL – Falou-se muito em listas com indicações de nomes...
Barbosa Neto – Existiram lista tríplice, quádrupla, quíntupla, sêxtupla... Em alguns setores tivemos mais de 12 nomes indicados. É difícil fazer uma triagem para chegar a uma pessoa. O critério pessoal e o critério político acabam influenciando, mas nós buscamos um grupo de excelência. Londrina merece uma grande equipe e a nossa dificuldade foi a composição com apenas 50 cargos comissionados, um compromisso que já havíamos assumido para redução dos gastos da Prefeitura. Infelizmente não temos espaço para todo mundo.

Jornal da ACIL – O que o senhor acha do critério “ficha limpa” sugerido para escolha dos integrantes da equipe de governo?
Barbosa Neto – Eu quero a competência acima de tudo. Fico ouvindo sobre critérios como “ficha limpa”. Não se pode ter esse tipo de preconceito. Num estado democrático de direito a pessoa tem a presunção da inocência até que se prove o contrário. Você não pode querer carimbar. Ser investigado pelo Ministério Público pode até acontecer. Eu mesmo fui investigado e hoje alguns dos processos que havia contra mim foram trancados e o MP mesmo me liberou. Quem está na vida pública ou quem participa da administração municipal, por exemplo, onde o Tribunal de Contas é rigoroso assim como a Lei de Responsabilidade Fiscal é natural que haja algumas pessoas que sejam investigados. Mas ninguém na nossa administração vai ter qualquer tipo de compromisso com maracutaia, ilicitude, desvios de comportamento, de conduta, sobre preços, com propinas. Esse é o meu compromisso com o Ministério Público e a sociedade civil organizada de nossa cidade.

Jornal da ACIL – A tarifa do transporte coletivo terá reajuste?
Barbosa Neto - Há m aumento que precisa ser dado. Não sei de quanto. É uma questão técnica, a planilha é que deve apontar isso. Existe um ponto de vista do Ministério Público e eu também conversei com o promotor Miguel Sogaiar. Vamos ter data-base dos funcionários das empresas, tivemos inclusive uma reunião com o Padre Roque e sabemos da necessidade de fazer logo esse reajuste. Existe um contrato de concessão em vigor e ninguém trabalha de graça. É claro que não queremos explorar a população e nem interromper o serviço que é prestado. É uma preocupação muito grande. Quanto mais a decisão do reajuste é adiada mais se arrasta inclusive com prejuízo para a população que acaba perdendo com a piora da qualidade dos serviços. Para os cofres públicos o prejuízo já é inegável.

Jornal da ACIL – Qual a situação financeira do município?
Barbosa Neto – Parece complicada especialmente por algumas questões represadas como dívida da Sercomtel, Caapsmel, CMTU. Em vários órgãos e secretarias temos a questão da dificuldade de caixa, por isso contamos com a compreensão da população neste momento que é de apertar os cintos, fechar as torneiras para que haja recursos em caixa para que a Prefeitura possa honrar seus compromissos até com os servidores, porque num contingenciamento mais drástico nas despesas teremos essa dificuldade de pagamento dos servidores.

Jornal da ACIL – E a ajuda do governo federal para compensar queda no Fundo de Participação dos Municípios?
Barbosa Neto – Esse 1 bilhão de reais que serão destinados para ajuda dos municípios não terá impacto direto porque o FPM representa a quinta ou sexta fonte de receita da administração municipal. Nossa dificuldade maior é em relação a outros recursos como IPTU, ISS que já tiveram uma queda natural em função da própria crise internacional que acabou afetando os cofres do município.

Jornal da ACIL – A crise aumenta o desemprego, a informalidade e o comércio ilegal nas ruas. O que o prefeito pode fazer a respeito?
Barbosa Neto – Eu quero conversar com a ACIL, Sindicato do Comércio Varejista , com os ambulantes e com o maior número de pessoas para que a gente possa realmente organizar esses serviços, sistematizar de forma correta, até para o benefício dessas pessoas que estão hoje na informalidade. Temos de pensar na dificuldade dos que estão hoje no mercado informal, mas nós queremos uma cidade organizada em que haja respeito também para com aqueles que pagam seus impostos. Então, eu quero sistematizar tudo isso dentro do recolhimento de taxas para que as pessoas tenham liberdade para comercializar seus produtos dentro das normas vigentes – da vigilância sanitária, da questão ambiental, do ir e vir das pessoas porque também tem esse problema. Vamos tocar isso com muita seriedade, muito respeito e não pode ser deixado para trás porque é um problema que a gente vive no dia a dia.

Jornal da ACIL – Outra questão polêmica é o horário de funcionamento do comércio...
Barbosa Neto - Eu sou legalista. Se existe uma legislação a gente tem que cumprir. Sobre a questão de horários diferenciados eles podem existir desde que haja um acordo dos sindicatos do comércio varejista, dos trabalhadores com a ACIL. O prefeito não pode atrapalhar. Não queremos nenhum confronto, mas onde a gente puder mediar através do bom-senso queremos intervir nesta área, respeitando os pontos de vista de cada um. Acredito que não é uma dificuldade. Tem que se sentar a mesa e ter um caminho claro do que precisa ser feito em nome da economia da cidade, do bem estar dos trabalhadores, mas principalmente buscando a harmonia entre todos porque a cidade de Londrina não pode ficar dividida.

Jornal da ACIL – Segurança é responsabilidade do Estado, mas o que a Prefeitura pode fazer para ajudar?
Barbosa Neto – Você combate violência, problemas de segurança pública com emprego, saúde, educação mas precisa também fazer a repressão. E aí entram as câmeras, que são um projeto nosso, a guarda municipal, recursos do Pronasci. Eu já estive em contato com o Ministério da Justiça, com representantes do governo, o secretário Delazzari. Já estamos com o projeto pronto e queremos trabalhar no sentido de recuperar a tranquilidade que Londrina perdeu. Hoje a violência não distingue mais classe social, localização geográfica, infelizmente tomou conta da nossa cidade. E vamos trabalhar para coibir e trazer a violência pelo menos para níveis aceitáveis.

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