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Ano 5 - Numero 81 - Março 2009

Especial
Sociedade se articula e age pela segurança
Setores diferentes da sociedade tentam atuar de forma integrada com autoridades policias e prefeitura para combater violência
O ano de 2009 nasceu sob o signo da atuação social na discussão e busca de soluções no combate à violência em suas diferentes faces. Nos diversos setores da sociedade organizada, pipocam reflexões e, sobretudo, atitudes que visam transformar a realidade de violência vivida por Londrina, no encalço do que acontece em todo o País.
Acidentes de trânsito, assaltos, homicídios, violência doméstica, dependência de drogas. Estas são algumas das violências que estão na mira da sociedade. A meta são reflexões e ações integradas com as autoridades das polícias Civil e Militar, o Estado, a Prefeitura.
O discurso é unânime entre os setores que decidiram arregaçar as mangas e assumir o problema. “Não dá mais apenas para cobrar do Estado, da Polícia, da Justiça. É preciso que todos também passemos a agir.” A fala de Rosângela Khater, presidente do Conselho da Mulher Empresária da ACIL, traduz o pensamento que norteia entidades como o Fórum Desenvolve Londrina, que escolheu como tema para diagnóstico em 2009, a segurança no trânsito; as nove entidades que se uniram no combate da violência doméstica, entre outros.
O grupo Amor Exigente, que há 16 anos em Londrina trabalha indiretamente para diminuir a violência na Cidade, ao atuar com famílias e dependentes químicos, em média 120 por mês, também faz parte da parcela da sociedade que está atuando para reverter um quadro com números assustadores. Foram 1.107 procedimentos criminais instaurados pela delegacia da mulher; 144 homicídios; 3.166 roubos violentos. Os dados são da Coordenadoria de Segurança pública criada pela Prefeitura Municipal. A coordenadoria pode ser considerada o embrião do Conselho Municipal de Segurança, órgão considerado vital pelas autoridades policiais.
“Tivemos uma coincidência feliz em Londrina. A ACIL e um grupo de entidades levantaram a bandeira da segurança pública e temos agora a Prefeitura, mesmo numa situação de interinidade, também tomou iniciativas como a instalação da Coordenadoria de Segurança Pública”, afirma o presidente da ACIL, Marcelo Cassa. A tradução em números de outra face da violência, a que ocorre nas ruas, avenidas e rodovias que cortam a Cidade, não é menos feia: 6.500 acidentes de trânsito, por ano, em média em Londrina. O dado é do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul).
De acordo com a Companhia de Trânsito da Polícia Militar, o número de mortos nestes acidentes diminuiu em 2008, se comparado a 2007. Foram 65 em 2008 e 79, em 2007. Ainda assim, o problema é grave e o Fórum Desenvolve Londrina escolheu o assunto como tema em 2009, para apontar problemas, causas e soluções. A segurança púbica, de forma direta ou mais indireta, no caso do grupo Amor Exigente, é a finalidade da intervenção social, em conjunto com Prefeitura e Estado e autoridades policiais, que está se delineando em Londrina a partir deste ano.
Números da violência em Londrina
1.107 procedimentos criminais instaurados pela delegacia da mulher
144 homicídios
3.166 roubos violentos
522 lesões corporais
684 jovens (homens e mulheres) com idade entre 18 e 24 anos presos
Coordenadoria mostra nova visão da Prefeitura
Dever do Estado, a segurança pública em Londrina, além de mobilizar setores da sociedade, também começou a ter contribuição da Prefeitura, com a criação da Coordenadoria de Segurança Pública, que tem a sua frente Pedro Marcondes. Aqui também a palavra de ordem é a integração entre autoridades policiais, sociedade e poder público municipal. Esta articulação é primeira ação da coordenadoria. “As polícias, por exemplo, já fazem a ronda e de certa forma esses órgãos já estão articulados.
Já a prefeitura sempre fica de fora das medidas. Desta forma, vamos buscar maneiras de o município agir diretamente”, afirma. Outra ponta de atuação paralela da coordenadoria é a busca de recursos (ver texto sobre o Pronasci) para execução de projetos que estão no âmbito da Prefeitura.
Segundo ele, a Prefeitura pode desenvolver muitas ações para contribuir com a segurança da população como melhorar a iluminação pública, a poda de árvores, a revitalização de centros esportivos nos bairros. Outros projetos mais complexos também estão nesta lista como a criação de uma central de vigilância monitorada por câmeras e a implantação da Guarda Municipal. Como governo interino, o objetivo, segundo Marcondes, é deixar os projetos encaminhados para o próximo prefeito.

