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Ano 5 - Numero 80 - Fevereiro 2009

Agronegócio
Como Londrina se transformou em referência no setor de leilões
Primeiro passo foi a importação de gado zebu, na década de 60; depois vieram as pesquisas de melhoramento genético
Tudo começou com a ousada iniciativa do espanhol Celso Garcia Cid quando, radicado em Londrina, decidiu importar gado zebu da Índia para o Brasil, na década de 1960. O rebanho foi crescendo e o Nelore se transformou na base para cruzamentos com outras raças, por suas características de rusticidade, que ajuda na resistência a situações adversas, e qualidade de carne.
A partir da década de 1970 Londrina passou a concentrar criadores com fama de melhoradores da raça e quando as pesquisas em genética aqueceram, a Cidade se tornou pólo de produção de sêmen de qualidade. Para centralizar também os melhores leilões foi apenas um passo.
O presidente da Associação dos Neloristas do Paraná, José Carlos Romanelli, lembra a experiência do avô, que há cerca de 40 anos visitava pessoalmente as fazendas para adquirir bons animais. “Se a preferência fosse por um reprodutor, era preciso buscar referência entre os criadores para saber quem tinha o touro com as melhores características da raça”.
Logo alguns criadores resolveram promover vendas de mais de um reprodutor, assim como de lotes de gado de corte, e passaram a anunciar o acontecimento entre a categoria. O produtor Waldemar Neme recorda que “era apenas um dia de negócios na propriedade, com um churrasquinho e chope e, mesmo na feira agropecuária de Londrina os eventos não eram tão grandes, mas as vendas eram muito boas”. Mas, a nova forma de vender e comprar gado deu tão certo que o negócio cresceu muito mais do que se poderia prever. Hoje são verdadeiros espetáculos e atraem celebridades como atores, cantores e outros artistas, interessados em investir em um negócio seguro. Se não investem de fato, pelo menos aparecem na mídia como tal.
<b>Leilão na TV</b>
O empresário Elton Aparecido Baccarin, sócio de uma empresa que realiza leilões, lembra que no início dos anos 1990 uma nova estratégia de comercialização foi lançada pelo leiloeiro gaúcho Fausto Crespo. “Ele realizou o primeiro leilão transmitido pela televisão e muito rápido se percebeu as características deste meio de comunicação perfeitamente ajustadas ao evento porque a TV alcança uma platéia que os olhos não alcançam”.
O Paraná foi o segundo estado a promover leilões pela TV e logo depois o formato se popularizou. Romanelli complementa, “o leilão é uma forma de concentrar qualidade genética em um só lugar”. Hoje existem pelo menos cinco canais que promovem ou transmitem leilões de gado e também de cavalos, ovinos e outros animais.
Baccarin não revela valores, mas diz que as televendas vieram para ficar, especialmente porque ajudam na conquista de novos clientes. E destaca o leilão virtual como a modalidade que mais atrai criadores. “É como ir a várias fazendas sem sair de casa porque as equipes de gravação vão até as propriedades e fazem imagens dos animais ofertados. Assim, em poucos minutos é possível conhecer as características tanto de um reprodutor do Mato Grosso como de um lote de gado de corte do Rio Grande do Sul”.
O próximo passo é investir em leilões via internet, mas ele diz que anda há muito espaço para os leilões de TV. “Uma pesquisa informal revelou que os leilões, em todos os seus atuais formatos, movimentam apenas 10% do potencial de vendas do setor, assim podemos pensar nesta estratégia como fundamental pelo menos pelos próximos anos”.
Difícil é imaginar que números que este mercado movimenta, pois tanto criadores quanto empresas de leilões demonstram que este é realmente o grande segredo do negócio. O que se sabe é que muitos leilões de genética, os chamados leilões de leite, onde se oferecem reprodutores ou partes deles, podem tanto movimentar milhões de reais como apenas vender a imagem de um evento de sucesso.
Há quem exemplifique dizendo que dos 500 convidados para um grande leilão show, onde há um buffet excelente e farto, com boa bebida e boa comida, decoração e iluminação de casamento e sonoplastia de cinema, tenha no máximo 20 pessoas realmente interessadas em fazerem negócio.
Baccarin diz que sua empresa planeja no ano de 2009 fechar 80% dos negócios com leilões de gado de corte, inclusive pela televisão. “Pode ser um evento menos visível, de menos glamour, porque não tem reprodutores famosos, mas quem acompanha quer, de fato, aumentar o rebanho, visando o mercado”.
<b>Exposição de Londrina</b>
O empresário informa que a Sociedade Rural do Paraná (SRP), com 62 anos de fundação, teve papel fundamental para a consolidação de Londrina como referência em leilões de qualidade, assim como para tornar a Cidade um centro de produção genética. “Os presidentes e diretores da (Sociedade) Rural (do Paraná) nunca perderam o foco desses dois aspectos, tanto que associações de criadores de várias raças têm sua sede dentro do Parque Ney Braga”.
Segundo o site da SRP, a movimentação financeira global da Feira em 2008 foi de R$ 183.179 milhões, 10,25% mais do que a feira de 2007. Os 32 leilões realizados durante o evento contribuíram com R$ 21 milhões desse total, valor 33,33% maior do que os negócios fechados no setor em 2007.
Elton Baccarin diz que a agenda de leilões para a Feira deste ano, que acontece de 2 a 12 de abril já está lotada. “Não tem mais local nem horário, o que nos leva a crer que apesar de um ano considerado difícil para o agronegócio, 2009 deve ser outro sucesso para os leilões da Feira de Londrina”.
José Carlos Romanelli também aposta na força dos leilões da Exposição deste ano, especialmente porque criadores tradicionais decidiram renovar seus plantéis e vão colocar à venda reprodutores reconhecidos no mercado. “Eles estão recebendo animais com genética POI (puro de origem internacional) para purificar as raças, especialmente o Nelore, e essa renovação deve ser muito benéfica para o segmento”.




