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Ano 5 - Numero 80 - Fevereiro 2009

Jornal da ACIL
Crise deve aquecer setor de temporários

Ruth Hayashi: “O principal benefício é poder adequar o contrato de acordo com as condições que o empresário precisar”

  • Ruth Hayashi: “O principal benefício é poder adequar o contrato de acordo com as condições que o empresário precisar”
  • Silvio Lopes: “Essa é uma alternativa que pode ajudar o empresários em tempos de crise”
Empregos

Crise deve aquecer setor de temporários

Empresários acreditam que, com as demissões e o receio de adquirir despesas fixas, as empresas devem procurar mão-de-obra alternativa e com custos variáveis

Fabiana Alves
Especial para a ACIL

A atual crise financeira global tem causado muitas demissões, inclusive em Londrina e região. Contudo, grande parte do empresariado do setor de empregos temporários acredita que, em meio a esta conjuntura, o setor possa ser aquecido.

“Desde outubro tem havido muitas demissões e com a retomada da economia os empresários ficam com medo de inchar o quadro funcional fixo. Então optam pela mão-de-obra temporária para suprir as necessidades das empresas, o que é completamente legal e que já aconteceu em outras crises”, explica o diretor da Labor Trabalho Temporário, Silvio Linos Lopes. Ele ainda esclarece que os trabalhadores temporários são os primeiros a serem demitidos em períodos de dificuldades, porém, em um segundo momento, eles também são recontratados antes dos efetivos. “Esta é uma alternativa que pode ajudar o empresário em tempos de crise”, frisa.

Para Nelson Aparecido Barizon, gerente geral da Admita Recursos Humanos, a expectativa também é que o segmento seja aquecido. “Com a economia instável, os empresários optaram por contratar temporários para não trazer custo fixo e sim variável a empresa”, aponta. O gerente afirma que os empregos temporários permitem que a administração de pessoal seja flexível, uma vez que o custo, comparado com o fixo, é, em geral, menor com o temporário. Segundo Barizon, um funcionário efetivo custa cerca de 120% do seu salário para a empresa, enquanto um temporário sai por 98%, em média.

A gerente de recursos humanos da Capital Humano, Ruth Hayashi, assegura que a maior vantagem das contratações temporárias é a flexibilidade do contrato. “O principal benefício é poder adequar o contrato de acordo com as condições que o empresário precisar, sem precisar que o trabalhador passe por período de experiência e podendo dispensá-lo quando necessário, sem ter que pagar multa, aviso prévio ou indenização”, aponta. Ruth, porém, enfatiza que os funcionários temporários têm direitos que são garantidos pela empresa terceirizada, como INSS, FGTS, férias proporcionais, 13º salário e outros.

“O trabalho temporário é vantajoso, mas tem riscos que são calculáveis pelo administrador”, declara Barizon. Por isso, o gerente alerta que é preciso saber gestar essas contratações. “É uma ótima ferramenta de administração de pessoal em RH, mas tem que saber utilizar o temporário, utilizá-lo legalmente”, salienta. Afinal, o trabalho temporário é legalizado desde 1974.

Barizon acredita que o receio dos procedimentos legais unido ao porte das empresas londrinenses e a uma filosofia própria de administrar de cada uma é que faz com que poucas empresas da cidade utilizem esse meio de contratação.

Silvio Lopes, da Labor, por sua vez, justifica que muitos empresários não o utilizam porque não conhecem esta possibilidade de quadro funcional. “Muitos confundem temporário com contrato de experiência. Acredito que 30% dos empresários não sabem como funciona a dinâmica desse tipo de contrato”, afirma.

Já Ruth considera que muitas empresas de Londrina procuram esse meio de contratação. “O número de firmas que utilizam é razoável, acredito que supra as necessidades da cidade. As empresas conhecem e o utilizam bem porque as favorece economicamente”, destaca a gerente.

Segundo Silvio Lopes, em 2008, mais de dois milhões de trabalhadores temporários foram contratados no Brasil. A contratação pode ser para vagas gerenciais quanto para mão-de-obra operacional, que é a maioria dos casos da região de Londrina, como auxiliar de safra, operador de máquinas, mecânico, eletricista, montador, tapeceiro, marceneiro, entre outras funções.

“Na região, são contratados mais trabalhadores braçais, porque não são cargos efetivos e porque são chamados conforme a necessidade de produção da empresa, mantendo a produção de acordo com a demanda, especialmente em períodos de pico”, revela Ruth. Para ela, vários setores estão contratando temporários, principalmente o industrial e o segmento agrícola. Barizon acrescenta ainda os setores do comércio e da prestação de serviços.

<b>Seleção e consultoria</b>
As empresas de RH (Recursos Humanos) atuam, geralmente, não só no setor de empregos temporários, mas também na seleção de pessoal fixo e consultoria do setor em outras firmas. “As empresas nos solicitam profissionais adequados para determinadas vagas, temporárias ou não, e nós encaminhamos alguns que nós acreditamos que se encaixem no perfil, diferentemente de um anúncio de jornal, por exemplo, em que pessoas que não tem nada a ver com o cargo se candidatam”, conta Silvio Lopes. O diretor ainda comenta que o serviço temporário pode ter um contrato de até seis meses, mas tem que ser feito por uma empresa de trabalho temporário, pois é ela a responsável por todos os diretos trabalhistas do funcionário. “Toda a parte burocrática da contratação cabe a empresa de trabalho temporário, a intermediadora”.

Silvio ainda ressalta que a firma contratante é também co-responsável, desta forma, é preciso cautela ao contratar uma agência. “A empresa precisa verificar a empresa de trabalho temporário, porque se houver algum problema pode recair sobre a contratante. Então é preciso saber se ela é associada, se cumpre as normas, se é monitorada. É tudo uma questão de garantias”, assinala.

Na dúvida se contrata ou não trabalhadores temporários, Ruth orienta que os empresários entrem em contato com as firmas que oferecem este serviço. “Cada empresa tem uma situação que deve ser analisada. Na dúvida, o empresário deve procurar uma agência para esclarecer como funciona e estudar o seu caso, mas é uma opção viável para quase todas as empresas, desde que tratada dentro das condições legais”, arremata.

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