Por Fernando Canzian
Folha Online
Nos anos Lula, o crescimento brasileiro se deu de forma bastante desigual. Tanto do ponto de vista regional quanto nas várias faixas de renda.
Os mais pobres e o Nordeste foram os principais beneficiários pelas políticas sociais como o Bolsa Família e o aumento real (acima da inflação) do salário mínimo, que também teve peso positivo sobre os benefícios pagos pela Previdência.
Até um par de anos, a classe média e as parcelas mais ricas da população conviveram com uma renda crescendo a uma velocidade menor. A dos mais pobres crescia mais, assim como o número de vagas de trabalho para essa parcela da população (especialmente em áreas como construção civil e agronegócio).
Entre 2002 e 2008, o Estado de São Paulo apresentou o menor crescimento da massa real de renda, por exemplo.
Nas projeções da consultoria MB Associados, os próximos anos deverão ser marcados por um reequilíbrio do crescimento brasileiro.
Nessa hipótese, está considerado o fato de o Orçamento federal não deve ter mais tanto espaço no futuro para aumentos reais no salário mínimo tão fortes (pois isso causa impactos na Previdência) e de o programa Bolsa Família já cobrir praticamente 100% dos elegíveis (mais de 12 milhões de famílias).
Por outro lado, o dinamismo no Sudeste seria impulsionado pelos investimentos relativos ao pré-sal, Copa e Olimpíadas.
Além disso, a região tem a melhor infraestrutura do país --aspecto ainda muito negativo no Norte/Nordeste.
Mas a principal incógnita daqui em diante é o que acontecerá, afinal, com o crescimento das ainda pobres regiões Nordeste e Norte.
Elas tiveram um forte empurrão estatal via gastos públicos e vinham apresentando as maiores taxas de crescimento do país.
Agora é saber se isso se sustenta sem mais dinheiro público ou não.